quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013


Eu era pai de uma menina, tinha uma filha de sete anos, de grandes e lindos olhos castanhos, os quais sabiam muito bem como observar as pessoas ao seu redor, atentos a seus trejeitos. Ela era boa em matemática e adorava aprender coisas novas, como patinar e tocar violão; gostava de jogos de corrida e muffins. Eu me lembro bem de que gostava muito de muffins. Vestida pela mãe, a maioria de suas roupas, se não todas, tinham ao menos um detalhe em azul. Ensinada pela mãe, não falava com estranhos enquanto estivesse sozinha – a não ser que um desses estranhos tenha um cão, assim ela esqueceria essa lição com uma facilidade incrível, em questão de segundos –, e conhece duas línguas ou até mais, seriam o inglês, o português e talvez o alemão. De longe se percebe de que a menina é grudada com a mãe e que reconhece, dá valor a tudo o que a mãe faz por ela. Por agora, pensando, me parecia que não era assim de todo mal a ideia de ser pai, ela podia ter me contado, eu aceitaria e a ajudaria. Ou não? Ri internamente com isso, ah sim, eu aceitaria! Precisava tanto dela ao meu lado que nem me importaria se a menina não fosse realmente minha filha. Mas a mãe tem que tentar resolver as coisas por si mesma, não importa o que seja ou o que aconteça, ela não quer ajuda e não dá o braço a torcer.
Eu tive uma filha com a minha namorada do colégio, aquela que tenho certeza de que amei com todas as minhas forças, aquela que esperei por sete anos, e então agora ela me aparece com seu noivo alemão e com sua filha, ou melhor dizendo, com a nossa filha. Mas, independente de tudo, independente do fato de ela só aparecer agora, ou de que está noiva, ou de ainda estar omitindo coisas, eu a amo; isso é errado? Eu estava um pouco magoado, um pouco confuso, mas o sentimento mais forte continuava comigo e eu sentia raiva por não conseguir sentir raiva dela, por não conseguir esquecê-la.
- Ela não está me usando, não é? – eu disse para o celular em minha mão – Será que teria problema se eu fuçasse em sua memória, só um pouquinho, só para me distrair?
Mordi o lábio inferior, pesaroso, e passei a ponta do dedo indicador sobre tela do aparelho, que logo se iluminou com a foto de uma Melannie sorridente.
Cá entre nós, na verdade nem sei o porquê de eu ter falado em exame de DNA, acho que estava tão atordoado e magoado com as coisas que ela me disse e com aquelas que deixou de dizer que também quis que ela sentisse um pouco do que eu estava sentindo, e talvez assim, fingindo que duvidava dela eu conseguiria fazer isso.
Por alguns segundos continuei pensando se deveria ou não, se precisava mesmo fazer aquilo ou não, porque naquele aparelho não devia ter nada de mais, eu só fuçaria e o que poderia encontrar seriam fotos de Demi com Robert, ou mensagens dele para ela, ou sei lá mais o que, já bastava ter atendido uma ligação dele, aquele aparelho poderia estar infectado até seu último átomo de Callagham.
Rolei os olhos. Espera, esse negócio de átomo... Isso é química? Física? Ok, isso é o que não me importa no momento.
Deixei que a tela tornasse a se apagar e coloquei o celular em cima do criado-mudo e então ouvi o som da campainha soar por todo o apartamento, sendo seguido pelo latido de Snoop, que estava deitado na cama comigo, com o corpo atravessado sobre as minhas pernas. Assim como eu, Snoop se levantou preguiçosamente, uma parte do corpo de cada vez, em movimentos lentos. Mas prefiro denominar isso como movimentos friamente calculados. Espirrei. Mas dessa vez eu estava preparado, com um rolo de papel higiênico em uma das mãos. Descemos as escadas arrastando os pés – ou as patas, seja como preferir – e mais uma vez a campainha tocou, mas poupei minha voz ouvindo a conversa do lado de fora, já sabendo quais eram os inconvenientes que me tiraram da cama.
- Tem certeza que ele está ai?
- Tenho, falei com ele segundos antes de você me ligar.
- Acho que o porteiro... Como é o nome dele mesmo?
- Ian.
- Ah sim, acho que o Ian nos avisaria se Joe não estivesse em casa.
- Faz sentido. – pausa – Já perceberam como esse corredor é frio?
- Amor, a gente não pode vir outra hora? Ele pode estar descansando...
Enrolei um enorme pedaço de papel na mão, colocando depois no bolso do moletom, coloquei o rolo na mesinha próxima a porta e abri a mesma.
- Hey dude! – três disseram em um uníssono enquanto duas apenas sorriram.
- E ai? – pigarreei.
- Eu não disse? – Justin arqueou as sobrancelhas colocando as mãos no bolso – Ele está doente, não vai sair de casa tão cedo.
- Que dó de você, dude! – Liam disse e veio até mim, me dando um abraço – Você vai ficar bem.
- Aham, eu sei. – eu ri, mas minha voz saiu estranha por conta do congestionamento nasal, e eu estava odiando aquilo, diga-se de passagem – Valeu Liam, pode me soltar agora.
- Já tomou remédio? – Sel perguntou e eu assenti assim que Liam me largou.
- Aposto que está querendo descansar – Tay me olhou compreensiva e eu sorri de lado, dando de ombros, pelo jeito ela era a única que me deixaria descansar naquele momento.
- Esquece isso, ok? – Liam disse dando um passo a frente – Porque agora você pode me chamar de gênio – ele sorriu largamente, pude ver Justin e Liam rolarem os olhos atrás dele, porém os dois sorriam.
- E por que eu faria isso? – perguntei.
- Você não tem que fazer isso – Tay rolou os olhos sorrindo e Snoop latiu enquanto os cinco entravam em casa se espalhando pela minha sala.
- É, mas minhas notícias sobre o nosso trabalho continuam sendo ótimas – ele deu de ombros.
Espirrei mais uma vez.
- Desde quando as reuniões do McFLY são aqui? – perguntei calmamente andando, com Snoop em meu encalço, até o sofá de dois lugares, onde Liam estava sentado no canto. Cheguei lá o mais rápido que pude, ainda arrastando os pés – E por que as meninas estão aqui? Sem ofensas!
Quem foi o idiota que colocou o sofá tão longe da porta?
- Desde quando Liam estava em casa, – ouvi Liam dizer enquanto eu me deitei no sofá, apoiei a cabeça na perna dele e fechei os olhos. Pode me chamar de gay até não querer mais, eu estava realmente mal. Tossi algumas vezes – onde seria a reunião, mas logo que ligamos para o Justin ele disse que você estava assim...
- Doente, podre, quase morrendo – Justin completou e os todos riram, ri fraco vendo Snoop se deitar ao pé do sofá onde eu estava.
- E nós só viemos também – Sel disse e eu abri os olhos para encara-la – porque daqui nós vamos ao Black Cat.
- Vocês vão sem mim? – fiz bico.
- Eu te chamei – Justin franziu o cenho – mas você disse que estava doente.
- Mesmo assim – dei de ombros.
- Ok, você quer ir? Ainda dá tempo – ele disse e eu tornei a fechar os olhos.
- Não, estou doente – sorri e tomei um tapa na testa.
- Não vai ser a mesma coisa sem você – Liam me abraçou.
- Dude, para de se aproveitar de mim – eu ri ainda de olhos fechados, afastando seus braços de mim.
- Mas por que você está assim, doente? – ouvi Liam perguntar.
- Tomei chuva. – eu disse, me mantendo imóvel.
- Interessante. – Sel disse – Sabe com quem eu falei hoje? Com a Demi. Ela me ligou, estava com a voz estranha, parecia muito cansada com aquela voz sofrida, coitadinha, então eu perguntei o que houve e ela me disse que estava doente, tomando alguns remédios...
- Você tem falado muito com ela Joe; ou a visto muito? – Liam tornou a falar.
“Ou resolvendo muitos problemas com ela, ou tomado muita chuva com ela”, só faltou ele perguntar isso. Será que ele não percebe que qualquer coisa que aconteça entre Demi e eu não é só por minha causa? Afinal o que um não quer, dois não fazem, não é? Espirrei. Abri os olhos e o encarei. Ele entortou o maxilar e comprimiu os olhos, Liam sorria com os olhos, mostrando que já tinha entendido o bastante para poder tirar suas próprias conclusões sobre o resto.
- Tenho sim – eu disse simplesmente, tentando ignorar a minha curiosidade que queria saber o porquê de Demi ter ligado para a Sel.
- Ok Liam, – Justin se apressou em dizer – fala logo sobre o projeto e tal.
- É, fala logo que eu estou começando a ficar com dor de cabeça. – reclamei, mas não era uma forma de fugir do assunto, eu estava começando a ficar com dor de cabeça de verdade, só queria tomar mais um dos meus remédios e deitar na minha cama, me empacotando em meio aos meus cobertores quentes que me esperavam até então.
- Bem, – ele começou – eu est...
- Sel, por que a Demi te ligou? – Liam voltou ao assunto totalmente alheio.
Eu ri, aliás, eu gargalhei internamente. Por isso que eu amo esse cara! Era uma pena não falarmos sobre tudo isso, sobre o “caso Demetria” abertamente, Liam era um bom amigo, mas explicar as coisas para ele às vezes era estressante.
- Ela não me liga, – ele disse pensativo – ela liga pra você Liam?
- A minha maninha sempre me liga – ele disse com um ar de orgulho, o que eu achei bom. Liam deve estar adorando ter a sua “maninha” de volta.
- Justin?
- É, ela liga lá em casa para falar com a Sel de vez em quando, mas quando eu atendo ela conversa comigo também – Justin deu de ombros.
- E pra você Joe? – ele me olhou e eu virei a cabeça levemente, tossi.
- De vez em quando, – disse e pigarreei logo em seguida – mas não se sinta mal, ela também não liga para a Tay. – eu ri e vi Tay encolher os ombros.
- Na verdade... – ela começou e Liam jogou os braços para o alto.
- Eu me sinto tão rejeitado nesses momentos. – ele disse tristemente, balançando a cabeça negativamente e nós rimos – Mas hein! Por que ela te ligou? – tornou a perguntar.
- Não sei, foi estranho, – Sel disse – a principio parecia que ela queria me dizer alguma coisa, mas depois desistiu. Acho que não devia ser tão importante, então perguntou como estavam as coisas, se a gente podia marcar de se encontrar...
- É, nada de mais, viu? – Justin interrompeu – Agora o Liam vai falar sobre...
- Mas Liam, talvez ela nem tenha o seu número. – Sel o interrompeu.
- Amor, eu estou falando! – ele protestou.
- Ai, Bieber, pode parar, porque você me interrompeu também! – ela o olho pelo canto dos olhos.
- E esse é o casamento, senhoras e senhores! – Liam abriu um sorriso enorme e todos nós, sem exceção, gargalhamos – Sinta o amor, essa coisa linda!
- Ok! Como eu estava dizendo, – Liam voltou a falar enquanto Justin e Sel se abraçavam, ainda rindo baixinho – entrei em contato com uns conhecidos, estava correndo atrás para que esse nosso novo álbum começasse a se encaminhar, já que parece que sou só eu quem está realmente preocupado com isso...
- Para de mentir! – Liam se manifestou e eu fechei os olhos.
- Joe, está prestando atenção? – Liam falou mais alto, ignorando Liam.
- Estou.
- Então, eu falei com uma pessoa e expliquei sobre o nosso projeto, disse que a nossa ideia era fazer alguma coisa diferente do que estamos acostumados a fazer e...
Liam fora interrompido pelo som estridente do interfone e pelos latidos de Snoop.
- Mas ninguém consegue falar nessa casa! – ele reclamou e nós gargalhamos.
- Alguém atende pra mim? – pedi entre risos e Liam se levantou mais que rápido, fazendo com que a minha cabeça subitamente batesse contra o sofá.
- Caramba Liam, você não! – reclamei levando as mãos até minha cabeça e me ajeitando melhor no sofá.
- Fala Ian! – ele exclamou e depois de alguns segundos me encarou com o cenho franzido – Quem? Miley?
Ao ouvi-lo, eu também me levantei e fui andando com o meu passo super-rápido de pessoa doente, escada a cima. Sentindo o olhar de todos sobre minhas costas.
- Você tem certeza Ian? Ok, então eu acho que pode deixá-la subir. – e colocou o interfone no gancho – Joe, a Miley e...
- Já entendi! – eu disse terminando de subir os últimos degraus.
Entrei em meu quarto, peguei o celular de Demi que estava na cabeceira da minha cama, imaginando que talvez esta fosse a razão pela qual Mi apareceria aqui em casa, o coloquei no bolso da minha calça de moletom e desci as escadas até chegar à sala novamente.
- ... Liam?
- Eu não sei.
- Mas...
- Já disse que não sei, Selena.
Espirrei e nós ouvimos a campainha tocar, Liam fez menção em ir até a porta, mas fiz sinal para que parasse e ele assim o fez. Abri a porta, dando de cara com uma Miley que sorria docemente, abaixei o olhar e encontrei Melannie.
Congelei.
- Olá Joe! – ouvi Miley dizer, mas não consegui tirar os olhos da pequena menina de grandes olhos castanhos.
- Oi Joe. – a pequena sorriu encolhendo os ombros. Senti Snoop passar, esfregando-se em minhas pernas e então ele sentou-se em frente à menina todo feliz, balançando o rabo freneticamente e ela sorriu ainda mais ao vê-lo – Snoop! – exclamou se ajoelhando e o abraçando – Você veio me cumprimentar? Foi isso? Que lindo! – ela riu brincando com as orelhas dele.
Respirei fundo, pensei duas, três vezes e, vencido por aquela imagem, eu sorri, me ajoelhando diante dela.
- Ele gosta muito de você, – eu disse passando a mão pelos pelos macios de Snoop e ela me encarou com os olhos brilhando – só de ouvir sua voz veio até aqui, sem latir nenhuma vez!
- Ele é um cão muito especial – ela riu passando a mão na cabeça dele uma última vez e depois tornando toda sua atenção para mim. Sorri fraco.
Sim, ele é. Pensei em dizer. Tenho orgulho do meu cão, ele compartilhou comigo momentos muito importantes. Sério!
- Mas então Melannie, está tudo bem com você? – perguntei e ela assentiu, ainda sorrindo para mim – Eu... Bem, Snoop e eu já estávamos sentindo a sua falta, o que fez nesse final de semana?
- Dormi na casa da minha amiga. – ela disse e eu arqueei as sobrancelhas, demonstrando meu interesse.
- E foi legal?
- Foi, nós brincamos perto do lago que, pelo o que o pai da minha amiga disse, vai demorar um bom tempo ainda até começar a descongelar, assistimos filmes, comemos muitos cookies e... Hm, muffins! Deliciosos muffins!
- Nossa, vejo que se divertiu bastante – sorri de lado.
- Muito!
- Que bom, mas tenho uma pergunta para você.
- O que? – ela disse pendendo a cabeça para o lado.
- Quanto as nossas aulas de violão, você acha que pode dar certo?
- Claro que pode! – me garantiu sorrindo lindamente – Sabe, aquele dia também foi muito legal, mas pra ficar completo, eu bem que podia ter ganhado mais uma do Liam no videogame, ele não é muito bom.
- Eu ouvi, sua tampinha! – Liam disse, com o tom de voz elevado e nós rimos, olhei para a sala e vi que os todos nos observavam – Você deu sorte naquele dia, vem aqui agora que eu te mostro o que é jogo de verdade!
Tornei a encarar Melannie e ela olhava num ponto fixo sobre meu ombro, provavelmente para Liam, com os olhos comprimidos e um sorriso no canto dos lábios.
- Eu posso Joe? – ela me olhou e eu assenti, me colocando de pé. A menina sorriu uma última vez para mim e entrou correndo no apartamento com Snoop em seu encalço.
- Bom, muito bom. – Mi disse enquanto eu saia do apartamento e fechava a porta do mesmo.
- Como? – dei um riso contido, a olhando com o cenho franzido e pigarreei, ainda sentindo minha voz sair estranha.
- Achei que não fosse querer vê-la, – gesticulou – mas gostei do modo como falou com ela, gostei bastante.
- E por que achou que eu não iria querer vê-la?
- Oras, porque você atendeu uma chamada de Robert. – ela disse e tirou um celular do bolso traseiro da calça, me mostrando o mesmo.
Era o mesmo celular que eu lembrava claramente de estar na mão de Melannie lá no começo dessa história toda, quando a encontrei sentada, com a cabeça encostada nos joelhos, soluçando na escadaria em frente à escola Queen’s Elizabeth, e chorava porque a mãe estava demorando a chegar. Ela recebera a ligação de Demi neste mesmo celular, com a chantagem dos muffins e a ordem de não falar nem com a Madonna.
- Mas não uma dela, então tirei minhas conclusões – completou arqueando uma das sobrancelhas.
- Como sabe que eu atendi a ligação? – franzi o cenho novamente, também tirando um celular do bolso, o celular deDemi – Provavelmente também saiba que estou com o celular dela, como sabe disso? Por que você sabe sobre tantas coisas sobre a minha vida? Coisas essas que eu desconheço totalmente, o que é bom ressaltar. Ou desconhecia, ou sei lá. Isso é, no mínimo... Injusto – eu disse frustrado com a situação em que me encontrava.
- Desculpe por isso, – ela disse e mordeu os lábios e estendendo a mão, eu lhe entreguei o celular, que ela logo guardou dentro da bolsa – eu já te disse que sei sobre muitas coisas, mas quero que esteja claro que te confundir não era a intenção da Demi, o que ela menos queria era...
- Bagunçar com a minha vida. – a interrompi, completando sua frase e ela assentiu – É, eu sei, já ouvi isso.
Tomei ar, tirei um pedaço de papel higiênico do bolso, fechando levemente os olhos, virei o rosto, levando a mão ao nariz, e espirrei.
- Droga – murmurei, voltando a minha posição inicial.
- Saúde – ela riu.
- Obrigado, – disse com a voz nasalada e comprimi os olhos – eu acho.
- Bem, espero que entenda a intenção dela.
- Não é tão fácil, mas estou me esforçando para entender. – cocei a nuca.
- Ouça, faça aquele exame idiota, ok? Assuma suas responsabilidades, pelo jeito não vai ser tão difícil, Melannie te adora, e depois não as deixe de lado, – deu um passo a frente – nem a menina e nem Demi, elas precisam de você.
- Não é o que Demi diz – ri sem humor e balancei a cabeça negativamente.
- Ah, Joe! – ela rolou os olhos jogando as mãos ao lado do corpo – Será que você ainda não aprendeu? Demi é igualzinha ao pai dela, quer resolver tudo sozinha, não pede ajuda pra ninguém e, se não percebeu, Melannie às vezes também age da mesma forma! Mesmo se ela te mandar embora, não vá.
- Quer saber? – pigarreei – O problema é que tudo fica mais difícil quando eu sei que tem mais alguma coisa. Ela esconde mais alguma coisa, não é?
Miley deu de ombros, com o rosto inexpressivo. Diferentemente da prima, ela tinha jeito de que sabe guardar muito bem um segredo, que conseguiria mentir com facilidade para qualquer um se fosse preciso. Percebendo que eu a analisava, Mi sorriu.
- Joe, eu não sou a Demi, ok? – balançou a cabeça negativamente, parecendo se divertir com aquilo – Não adianta ficar me olhando desse teu jeito ai, – ela mexeu a mão diante de meu rosto e eu ri – achando que eu vou te falar tudo aquilo que você quer ouvir, eu não tenho nada pra te dizer.
- E ela não precisa de mim, – conclui sorrindo e dei um passo para trás, levantando as mãos até a altura dos ombros – ela tem o Robert.
Ela comprimiu os olhos, abriu a boca algumas vezes antes de suspirar e cruzou os braços.
- Qual é? Robert é um idiota... – disse de má vontade, desviando o olhar do meu.
- Não sabia que não gostava dele – sorri de lado, feliz por não ser o único.
- Vamos apenas dizer que não acho que ele seja bom o bastante para cuidar das duas.
- Hm. Tudo bem, então me conte, – arqueei as sobrancelhas – o que você sabe?
- No momento, o que eu sei é que tenho que tomar cuidado com as coisas que te conto, – ela sorriu largamente – porque da última vez que tentei te ajudar, vocês dois acabaram molhados numa estrada e agora estão assim – me mediu dos pés a cabeça, levei a mão a boca e tossi – doentes.
- Ela já te contou tudo, não foi? – rolei os olhos e ela riu.
- Contou por alto, só as partes que me interessariam – ela sorriu olhando para o alto e piscando várias vezes.
- Que seriam todas – sugeri e ela me encarou com um sorriso divertido.
- Sim, seriam todas! – Mi franziu o cenho e eu ri do jeito engraçado dela, como se realmente estivesse impressionada – Dude, você é bom, sabe de tudo!
- E você é meio doida – eu disse entre risos.
- Ah, você não viu nada... – ela disse e fez menção em pegar em minhas mãos, mas depois as juntou próximo ao peito – Ok, antes de qualquer coisa, suas mãos estão limpas? Eu estou em época de provas e ficar doente neste momento é o que eu menos preciso.
- Qual é? Estou doente, mas sou limpinho – arqueei uma das sobrancelhas, funguei.
- Demi também é limpinha e espirrou no meu ombro hoje cedo! – ela disse séria e eu segurei para não rir.
- Sério? Ela deve estar como eu, a Sel disse que falou com ela, que estava com uma voz cansada... Ela está bem, não está?
- Anw, coisa linda você preocupado com ela – ela sorriu e apertou minha bochecha.
- Não estou preocupado...
- Aham, mas ela está bem e, como a Sel disse, tomou alguns remédios e deve estar no 5º sono há essa hora. – ela disse e eu apenas assenti, também queria estar no 5º sono há essa hora. Mi suspirou e tocou minha mão livre sem pestanejar – Mas mudando de assunto, cá entre nós, eu acho que Demi está se enganando ao querer ir adiante com esse casamento.
- Estou ouvindo – eu sorri, gostando do que estava ouvindo.
- Se vocês se amam deviam ficar juntos, – deu de ombros – e se quiser, eu posso tentar te ajudar, mas você tem que me prometer que vai fazer tudo dar certo dessa vez!
- Mi, olha, eu falei com ela sobr... – comecei e nossa atenção foi desviada para a porta de meu apartamento que se abriu. Liam nos encarou por alguns segundos, demorando-se mais em nossas mãos, que estavam unidas.
- Ah, – suspirou – foi mal! – e fechou a porta.
- Mais essa ainda – eu disse com completo desânimo soltando da mão de Mi.
- O que foi isso? Não entendi – ela franziu o cenho.
- Acho que ele gosta mesmo de você – admirei, levei a mão à maçaneta.
- Eita! – arqueou as sobrancelhas – Uma escolha nada inteligente – ela disse e eu ri.
- Fazer o que se essas coisas a gente não escolhe? – eu disse abrindo a porta, mas logo me lembrei sobre o que estávamos falando e a fechei novamente – Sobre a Demi, eu falei com ela, mas parece que ela foge de mim, sempre.
- E você vai desistir? – perguntou jogando uma mecha do cabelo atrás da orelha. Não tinha muito que pensar para responder.
- Pergunta idiota, – franzi o cenho rindo – claro que não, e pode deixar, farei tudo dar certo dessa vez.
- Beleza.
Ela suspirou, parecendo aliviada e, enfim, eu abri a porta e nós entramos no apartamento, lado a lado. Estavam quase todos sentados nos mesmos lugares de antes, exceto Liam e Melannie, que estavam sentados no chão, com os controles do videogame em mãos e Snoop estava deitado ao lado da menina. E Selena, bem, Sel não estava na sala.
- Hey Mi! – Justin exclamou – Faz tempo não te vejo.
- Pois é, ainda sou estudante, então ando um pouco ocupada – ela sorriu enquanto nos aproximávamos do sofá e eu espirrei.
- Saúde! – disse para mim, eu agradeci com um meneio de cabeça e ele tornou a atenção a Mi – Já passei da fase estudante, amém! – ele riu.
- Amém! – Liam, Liam e eu dissemos em uníssono e rimos.
- Quem é essa garota que chega, mas nem entra no seu apartamento para falar comigo, Joe? Ela se parece tanto com a minha amiga Mi – Sel disse atrás de mim e eu a olhei por cima do ombro enquanto Miley se aproximava dela de sorriso e braços abertos.
- Nossa, que linda você, sabia que tinha uma garota parecida contigo que me ligava toda semana e agora nem dá um sinal de fumaça? – elas riram e começaram a conversar sobre sei lá o que.
Tornei minha atenção à televisão, onde um monte de gente levava tiros, sangravam, alguns corpos chegavam a explodir. Eu poderia estar errado e talvez ainda não saber muito bem o que era agir como um pai, mas aquilo era muito violento para uma garotinha na idade de Melannie estar jogando, não? Eu me sentei no sofá, Liam, Melannie e Snoop estavam sentados no chão, um pouco mais a minha frente e os dois jogando. Tossi, pigarreei. Já disse que estou odiando estar doente?
- Liam, esse jogo não é muito violento? – perguntei ainda olhando para a tela.
- Não Joe, eu sei o que você está pensando, mas ela é estudante, ainda é uma menina, mas pode me matar, matar pessoas... – ele disse sem tirar os olhos da televisão e eu não tive dúvidas que ele falava sobre Mi – ou melhor, isso aqui são zumbis, eu já pedi pra você não ficar muito perto e você me ouviu? Não! Mas tudo bem, eu já desencanei.
- Mas tem uma explicação.
- Está tudo bem, também não vou mais me aproveitar de você – ele disse, eu respirei fundo e cocei a nuca.
- Erm, Liam...
- Você não liga mais para os meus sentimentos!
- Temos mesmo que discutir nossa relação agora?
- Não, se não você vai estragar a minha noite – me olhou de relance – e eu ainda quero ir ao Black Cat hoje.
- Mas tem uma explicação, – repeti – e é muito boa.
- Que seja, não quero mais que você seja minha bicth. – ele deu de ombros e depois se deu conta da palavra que tinha acabado de usar – Desculpa Melannie, você não devia estar ouvindo isso, mas você já deve ter notado, a culpa é do Joe.
- Sinceramente, eu sempre achei que fosse o contrário, – eu disse e ouvi a menina rir – achei que você fosse a minha bitch.
- Sabe, depois que o Justin me contou sobre o que aconteceu na cozinha dele, eu fiquei feliz por você Joe, fiquei mesmo, – ele disse e eu abri a boca, incrédulo. Maldito Bieber. Comprimi os olhos e olhei em volta, ninguém prestava atenção em nosso conversa, a não ser Melannie – mas agora você me magoou.
- Espera! Ele te contou... Por que diabos ele te contou isso?
- Certo ele! Não é justo eu sempre ser o último a saber das coisas, – ele disse e eu tive que concordar – mas chegamos ao consenso de que você é uma péssima amante. Estou cortando minhas relações contigo.
- Ah, fala sério! Eu não estou ouvindo isso – eu joguei o corpo pesadamente para trás e ouvi Melannie rir mais uma vez.
- Vocês são tão bobos – ela disse entre risos, balançando a cabeça negativamente.
- Melannie, – Mi a chamou – vamos, está na hora de ir.
- Não, tia Mi, só me deixa terminar esse jogo? – ela choramingou sem tirar os olhos da tela.
- Ah, então eu vou te deixar ai com o Joe, – ela cruzou os braços – vou pra casa assistir a todos aqueles filmes novos e comer os muffins da Starbucks sozinha!
Melannie mexeu os dedos rapidamente sob os botões do controle do videogame, em uma metade da tela apareceu “WINNER” e na outra “LOSER”. Liam jogou as mãos para o alto e a menina se colocou de joelhos com um grande sorriso no rosto, e olhou para ele.
- Foi muito, muito legal te matar, Liam! – e o abraçou – Você é o melhor pior jogador que eu conheço – ela disse e todos começaram a gargalhar.
- Obrigado, tampinha – ele riu, retribuindo o abraço que logo ela se desvencilhou.
- Pronto tia, agora nós podemos ir – ela disse pondo-se de pé.
- Se despeça de todo mundo – ela disse, e então as duas começaram a se despedir de cada um, até de Snoop, que só se deu ao trabalho de levantar a cabeça para receber os carinhos.
- Eu acompanho vocês – eu disse e Mi me seguiu até a porta, ela sorriu e me deu um abraço rápido.
- Só mais uma coisinha, – ela começou num tom de voz mais baixo – se caso vocês um dia ficarem juntos, nada de trair a minha prima ou se não eu juro por Deus que eu te castro Joe Jonas! – ela disse séria e eu arregalei os olhos.
- Eu já disse que você às vezes me assusta? – perguntei no mesmo tom de voz e ela arqueou as sobrancelhas – Ok, nada de trair! – lhe assegurei e ela abriu um sorriso enorme.
- Tchau Joe! – a menina, agora ao lado da tia, pegou na mão da mesma e sorriu para mim.
- Tchau pequena. – eu me curvei e beijei o topo de sua cabeça – Depois falamos sobre as aulas de violão, ok? – disse tornando a posição ereta, ela apenas assentiu.
- Não se esquece de mim, hein Miley? Liga lá em casa – Sel elevou o tom de voz enquanto eu abria a porta e Mi fez sinal de positivo.
Quando as duas já estavam no corredor esperando pelo elevador, podia se ouvir o povo rindo e gritando tchau de dentro do apartamento. Eu sei, eles têm sérios problemas. Depois de um último aceno de Melannie, as portas do elevador se fecharam e eu voltei para o apartamento, fechando a porta do mesmo.
- Joe, a Tay nos convenceu, – Liam encolheu os ombros – vamos te deixar descansar e contar as novidades outro dia, por telefone, e-mail, sei lá! Você tosse e espirra a todo o momento.
- Você está precisando, dude – Justin fez careta.
- Você merece! – Tay sorriu se levantando e todos fizeram o mesmo.
- Ele não merece nada! – Liam cruzou os braços.
- Ih, está bravo Liamzinho? – Sel fez bico passando a mão no cabelo dele, que tentou se esquivar.
- Não! Vamos embora! – ele levantou o rosto e começou a andar em direção a porta.
Pensei em falar sobre Melannie, mas estava louco pra deitar na minha cama. Isso podia esperar.
- Ou então a gente se encontra na casa do Liam, – Justin disse, sendo puxado por Sel pela mão – assim já podemos resolver tudo.
- Eu não sei se quero ele na minha casa – Liam fez careta.
- Você não tem que querer nada! – Liam disse e nós rimos – Tchau Joe!
Todos se despediram de mim e finalmente Snoop e eu voltamos pra cama. Sim, Snoop e eu, mas não ria, estou doente e carente.
Capítulo 14.
Eram oito horas e pouquinho da manhã e eu já estava de pé. Ainda estava um pouco doente, minha garganta começara a arranhar ainda na noite em que os dudes e as meninas estiveram aqui, logo quando foram embora, bem, na verdade eles foram ao Black Cat se divertir um pouco, mas enfim. Eu tomei remédio e não adiantou de nada, odeio ter que admitir, mas eu estava realmente muito mal. Já disse que estou odiando estar doente? Se sim, desculpe, mas eu estou e vou continuar reclamando. Fala sério, em alguns momentos em que eu tossia, parecia que meu pulmão viria junto e cairia sobre meus pés! Mas enfim, ontem em casa, ficamos somente Snoop e eu, aproveitei e liguei para minha mãe, falei um pouco com ela e depois com a minha irmã, fazia um tempo que não conversávamos e eu estava com muita saudade das duas, e elas de mim. Principalmente minha irmã, parece ter ficado chateada por eu não ter dado notícias depois que voltei de turnê e por ela ainda não saber sobre Demi ter voltado do Brasil. Contei que hoje faria 21 dias desde que havíamos nos reencontrado – não que eu estivesse contando, claro – e ela ficou indignada. Ela adorava Demi e, assim como os dudes, achava que ela fora a minha melhor namorada. Mas agora está tudo bem, tudo esclarecido. Não falei sobre Melannie ser minha filha, esperava poder dizer isso depois do resultado do exame que faríamos hoje mais tarde.
Eu realmente esperava poder dizer isso.
E foi engraçado falar com ela, pois o único conselho que me deu foi: Roube a noiva! Eu ri, de certa forma aquela não era uma má ideia. Fiquei pensando naquilo por um longo tempo até pegar no sono e dormir feito uma pedra.
Arrumei a casa, aliás, apenas organizei, coloquei as coisas em seus devidos lugares, nada de limpar, varrer, passar pano úmido e coisas desse tipo, nada, deixei essa parte para a empregada que minha irmã me recomendou e quem eu já havia contatado. Ela disse que não teria problema se eu precisasse dela hoje e provavelmente ela chegaria daqui alguns minutos, mas não a esperaria, então só lhe dei as instruções básicas por telefone mesmo, expliquei que tinha um cachorro e ela não se importou. Fora isso, eu não tinha nenhuma exigência a fazer, a não ser que não tocasse no meu instrumento, eu mesmo posso limpar, antes ou depois de tocar violão, sei lá. Tomei um café da manhã reforçado, estava com fome, e quando terminei lavei a louça que estava na pia e peguei a coleira de Snoop na lavanderia, colocando-a no mesmo, ele estava todo feliz, andando de um lado para o outro, balançando o rabo freneticamente. Peguei minha carteira, celular, chaves e saímos do apartamento. Enquanto eu trancava a porta, Snoop se afastou um pouco de mim, parando em frente ao elevador. Ri fraco e então puxei levemente sua coleira e ele passou a me seguir escada abaixo. Escada? Sim, escada! Tomei uma decisão muito importante sobre o meu estilo de vida, decidi que deixaria de ser sedentário, e não, nada de academia, pelo menos não por enquanto, vou com calma, uma coisa de cada vez.
Ao sair, disse para que Ian encontrasse alguém do próprio prédio para auxiliar a nova empregada se fosse preciso, pelo menos até que eu voltasse, afinal, eu não estaria em casa quando ela chegasse, e eu confio nos funcionários do edifício e no julgamento de minha irmã, se ela disse que a empregada é boa, então é boa. Caminhamos por uns bons 40 minutos, o céu ainda não estava claro e o ar estava frio. Eu sentia minhas bochechas e a ponta do meu nariz gelada, não uvido nada que estivesse com o rosto rosado, mas eu não me importava com isso e nem se minha gripe pioraria, só queria andar um pouco e pensar. Ou até mesmo, não pensar, eu preferia não pensar. Snoop também parecia não se importar com nada, nem com escuridão amena, com o ar gelado ou com o solo úmido, fazia um tempo que não saia de casa, devia na verdade estar adorando.
I've found a reason to show a side of me you didn't know (Encontrei uma razão pra mostrar um lado meu que você não conhecia) – cantei baixinho – A reason for all that I do and the reason is you (Uma razão para tudo o que faço, e a razão é você).
Parei em frente à portaria e franzi o cenho analisando a letra da música que eu praticamente acordei cantando, cada verso, cada estrofe, e rolei os olhos me sentindo um idiota. Tentei não pensar, mas inconscientemente eu estava cantando uma música que retratava muito bem parte de tudo aquilo o que estava acontecendo comigo, tudo o que eu estava sentindo. Tossi algumas vezes.
- Estou enlouquecendo, não é? – olhei para Snoop, que só fez abrir a boca e colocar a língua para fora – Pois é, estou, e ainda insisto em conversar com um cão.
Pigarreei balançando a cabeça negativamente e entrei no prédio, subimos pelas escadas e não vou mentir, cheguei ao 8º e não aguentei mais! Ora, me dê um desconto, eu moro na cobertura e nem mesmo o Snoop estava com essa disposição toda, ok? Eu é que não iria carregá-lo até lá em cima.
Abri a porta do apartamento e entrei. A sala já estava arrumada, depois de tantos dias sem uma boa limpeza eu tinha me esquecido de que alguns móveis brilhavam quando estavam limpos. Sem brincadeira! Fechei a porta e coloquei as chaves sobre a mesinha próxima a ela, ouvindo vozes na cozinha. Snoop começou a rosnar.
- Shhh... Quietinho, ok? – pedi andando até a porta da cozinha.
Parei ao ver Ian bem de boa, bem folgado de braços cruzados, sentado de qualquer jeito na minha cadeira, enquanto a moça baixinha, quem eu concluo ser a minha nova empregada, estava descalça em cima de outra cadeira passando pano nos armários mais altos. Os armários estavam completamente vazios e a louça toda em cima da mesa, brilhando.
Não sei por que, mas quanto à empregada, eu tinha a imaginado uma senhora já de mais idade e não uma garota que provavelmente tinha quase a minha idade e usava um short talvez muito curto para ser usado num dia frio, mas não tão curto a ponto de ser vulgar... Mas enfim, ela e Ian nem notaram minha presença.
- É sério! Eu sou os olhos e os ouvidos desse prédio – ele se gabou e ela riu.
- Ian! – o chamei elevando o tom de voz e ele, assustado, mais que rápido se levantou tropeçando nos próprios pés ao se virar para mim e colocou as mãos atrás do corpo.
- Senhor Jonas.
Ok, eu já me conformei que ele não vai parar de me chamar de senhor, apesar de me sentir velho, vou parar de insistir para que faça o contrário.
- Senhor Jonas, – a garota desceu da cadeira, deixando o pano sobre a mesma e veio até mim com um sorriso cordial – meu nome é Poppy, nos falamos ao telefone, – e estendeu a mão – é um prazer conhecê-lo.
Ela era muito baixinha, tinha os olhos e os cabelos negros, a pele branquíssima e o rosto rosado.
- Igualmente. – sorri apertando sua mão e vi Snoop se aproximar e cheirar os pés dela – Este é o Snoop e ele faz isso com todo mundo.
- Ah, – ela riu soltando sua mão e a pousando na cabeça do cão – ele é lindo, e nós vamos nos dar muito bem.
- Espero que consiga dar conta da bagunça – eu disse e ela me encarou.
- Bem, por enquanto está tudo tranquilo!
- Ótimo. – eu disse satisfeito, ela sorriu mais uma vez e voltou ao trabalho, então eu me virei para Ian abaixando o tom de voz – Posso saber o que você está fazendo aqui?
- O senhor pediu para que alguém viesse auxiliá-la – ele disse levantando levemente os ombros.
- Não tinha outra pessoa? – franzi o cenho.
- Ah não, preferi cuidar disso pessoalmente – ele disse e arqueou as sobrancelhas, eu ri.
- É a eficiência?
- O senhor me conhece – ele sorriu de lado.
- Para de paquerar a garota e volta pra portaria – rolei os olhos.
- Como queira, senhor. – ele disse com um meneio de cabeça e se virou para a moça – Até mais, Poppy.
- Até – ela o olhou brevemente e sorriu, então ele saiu do apartamento e fechou a porta atrás de si.
- Poppy, eu vou deixar o Snoop solto, ok? – eu disse já soltando a coleira dele e ela apenas assentiu – Hoje em dia ele só faz o que der na telha, se pedir para ele não ir para a sala, é certamente para onde ele vai, é só questão de saber manipulá-lo. E não se preocupe, ele não vai pra cima nem de uma mosca e tem hora certa para comer, as necessidades ele só faz de madrugada e eu acabo limpando. Sei lá, acho que você não vai precisar fazer nada por ele, então pode deixar que eu cuido do garoto, ok?
- Ok. – ela disse e ficou me olhando, pra saber se era só aquilo, e então eu me lembrei de mais uma coisinha básica.
- Aliás, a única coisa que você pode fazer é conversar com ele de vez em quando.
- Conversar? – ela riu franzindo o cenho.
- É, ele é meio carente e saber que tem um pouco de atenção das pessoas faz bem.
- Ahm, tudo bem – e mais uma vez sorriu cordialmente.
- Eu vou subir – eu disse e ela assentiu.
Subi as escadas de dois em dois degraus e tossi ao entrar em meu quarto, segundo o meu relógio de pulso, era pouco mais de meio-dia e já estava quase na hora de sair de casa para encontrar com Demi e Melannie, tínhamos marcado anteontem mesmo, no carro, antes de eu deixá-la na casa da prima. Não foi a conversa mais calorosa que já tivemos, posso defini-la como monossilábica, curta, objetiva, mas não deixou de ser uma conversa. Mas afinal, o que estou querendo dizer é que gosto de ser pontual e que era melhor eu me apressar.
Tirei o cachecol, blusa e quando estava para tirar a camiseta lembrei que tinha mulher em casa. Fui fechar a porta e Snoop entrou, olhei com o cenho franzido para ele, que subia em minha cama, deitando-se na mesma. Ele não é assim, normalmente fica lá, grudado na pessoa que acaba de conhecer.
- O que foi, dude? – fechei a porta e me aproximei dele – Será que você também tem que ir ao médico? – suspirei – Pare com isso, ok? Você está bem!
Pigarreei e fiz um cafuné na cabeça dele, ele continuou com a cabeça entre as patas, me olhando com aquele olhar caído. Você deve estar achando que eu fico dando muita importância para um cão, mas ele já estava velho e esse desânimo todo dele me preocupa. O olhei uma última vez e voltei a me arrumar, na verdade só troquei de camiseta, a outra estava me pinicando, e tornei a colocar as outras peças de roupa. Verifiquei se todos os meus documentos que poderiam ser necessários estavam na carteira, peguei as chaves do carro e deixei o quarto. Snoop nem se deu ao trabalho de me seguir.
Avisei a Poppy que estava de saída, me certifiquei sobre o pagamento dela e disse que talvez quando voltasse não a encontraria mais aqui. Desci as escadas novamente até o estacionamento subterrâneo e peguei meu carro, passei pela guarita de Ian e acenei para ele, que retribuiu.
Dirigi sem pressa até a casa da Demi. Pelo o que eu entendi, assim que saísse do trabalho ela pegaria Melannie na escola, como de costume, e ao invés de irem almoçar no apartamento de Mi, iriam para casa e Demi não voltaria a trabalhar hoje. Bem, foi o que eu entendi. Quando já estava me aproximando da casa amarelo-clara, pude ver um carro estacionado em frente à mesma, fiz questão de diminuir a velocidade, quase parando o meu carro, porque aquele ali não era só um carro, era a enorme BMW preta. Um homem de terno cinza, quem eu já reconheci, abriu o porta-malas enquanto Demi se aproximava com uma mala de rodinhas relativamente grande e eu arregalei os olhos.
Será que ela estava mandando ele embora? Não, não é possível, ela não faria isso por você Jonas. Por mais que você quisesse que sim, ela não estava o mandando embora.
Ela estava linda. Bem, na verdade ela é linda. Suspirei. Pensamentos como esse não têm me trazido beneficio algum. Robert colocou a única mala dentro do carro e fechou o porta-malas, se virou para Demi e tocou seu queixo, selando seus lábios brevemente, e os dois entraram na casa de mãos dadas.
Já as minhas mãos, ah, ela se fecharam fortemente em volta do volante e eu senti uma vontade imensa de afundar o pé no acelerador e acabar com a traseira do carro dele, mas, como sempre, me controlei, o prejuízo seria todo meu. Estacionei o carro com calma, respirei fundo e saltei do mesmo.
- Joe! – Melannie chamou e acenou da porta de entrada, que estava aberta, assim que me viu, sorri repetindo seu gesto e ela deu uns passos para trás – Mamãe, o Joe está aqui! – ela gritou e depois veio ao meu encontro.
- Hey, pequena! – eu agachei e ela me abraçou – Tudo bem? Faz um tempão que a gente não se vê, não é?
- Nossa, – ela riu se afastando um pouco – maior tempão, desde anteontem à noite!
- Está querendo dizer que não sentiu minha falta? – devo ter feito uma cara desolada, porque ela tornou a me abraçar de imediato.
- Eu sempre sinto a sua falta! – ela disse baixinho.
Senti meu coração se apertar em meu peito, eu queria pedir desculpas a ela pela minha ausência, mas não sabia se devia ou se ela entenderia o que eu queria dizer e o que as palavras dela significaram para mim. Foram mais de sete anos sentindo a minha falta. Afaguei seus cabelos enfeitados por um pequeno laço azul que segurava uma fina mecha na lateral, beijei o topo de sua cabeça, nos separamos e eu levantei, vendo Robert se aproximar.
- Jonas. – ele estendeu a mão e eu a apertei rapidamente – Então, hoje é o grande dia.
- Pois é – eu disse meio de má vontade, não estava a fim de conversar com ele.
- Mas, será que posso te perguntar como foi que escolheu a clínica, assim tão rápido? – perguntou e eu olhei brevemente para Melannie, que estava ao meu lado, segurando minha mão e atenta a tudo – Não precisa se preocupar, ela já sabe, Demi explicou a ela.
- Ah, sim – sorri para a menina e passei as costas da mão em sua bochecha macia e rosada.
- Da forma mais fofa e azul possível, mas explicou. – ele disse sério entre um suspiro e eu pude ver por cima do ombro dele, Demi saindo da casa e trancando a porta – Enfim, sobre a clínica...
- Bem, na verdade eu já conhecia, – fitei o chão por alguns segundos e tornei a olhar para ela, que agora vinha calmamente em nossa direção – teve uma época em que um amigo meu precisou, mas no fim a criança não era dele.
Isso foi quando ele só tinha 17 anos, mas ele superou, escreveu uma música chamada ‘Ignorance’ e agora é famoso, fim.
- Entendi. – ele disse chamando minha atenção e se virou um pouco, já buscando pela mão dela para entrelaçá-las. Cocei a nuca – Pronta?
- Sim – ela disse mexendo nas pontas do cabelo com a mão livre, sem levantar o olhar em qualquer momento, como se aquilo fosse a coisa mais interessante do mundo.
- Demetria. – eu disse procurando pelo seu olhar, ela inspirou profundamente e por fim, me encarou.
- Joe.
- Tudo bem? – perguntei e ela apenas assentiu – Está melhor da gripe? – arqueei uma das sobrancelhas e percebi que Demi segurou a respiração.
- Claro que está, eu cuidei dela – Robert disse sério e eu sorri amarelo – Bem, nós vamos te seguindo, pode ser? – perguntou e eu dei de ombros.
- Claro, por que não?
- Melannie, vem com a mãe – Demi chamou.
A menina soltou de minha mão, já agarrando a da mãe e as duas foram lado a lado até a BMW preta e Robert as seguiu. Suspirei mais uma vez e segui para o meu carro. Entrei, coloquei o cinto de segurança e dei a partida. A clínica não era exatamente longe, na verdade ficava mais para o centro da cidade, só era meio complicado de chegar lá porque ela estava um pouco escondida, talvez fosse um ponto estratégico por muitas pessoas famosas, ou não, quererem manter a descrição. O que não era o meu caso, eu estava pouco me importando.

Sabe quando você almeja tanto por uma coisa, que você fica por horas, dias, ou meses imaginando como faria para conseguir aquilo e o que faria com o mesmo quando o tivesse em mãos, mas por mais que tente, você não consegue tê-lo para si?
Você sabe qual a sensação que se tem?
Será que é pior do que eu estou sentindo agora?
Porque eu almejo por um certo alguém e passei a noite em claro, esperando que o tempo passasse rápido e desse pelo menos 5 ou 6 horas da manhã para poder vê-la novamente. Mas o dia nem tinha começado ainda e às 4 eu já estava sentado ao meio-fio na frente da minha casa sem tirar os olhos da casa dela, desejando que ela abrisse a porta principal com aquele jeito despreocupado, mandando um último beijo no ar de despedida para a mãe e que ela sorrisse docemente assim que me avistasse ali, a esperando. Eu sorriria como um idiota apaixonado e enquanto ela viesse em minha direção, linda com os cabelos soltos caindo sobre os ombros, eu me levantaria, fazendo alguma palhaçada somente para ouvi-la rir. A tomaria em meus braços já entorpecido por sua presença, por seu perfume, beijaria seus lábios macios e diria a ela o quanto a amo.
Sorri amargamente. Era triste saber que nada disso aconteceria. Com certeza ela não iria querer me ouvir, não viria até mim, não sorriria e se fizesse qualquer uma dessas coisas, não seria para me dizer que estava tudo bem.
Depois de um bom tempo um carro encostou em frente à casa de Demi. Reconheci como sendo o carro do tio dela. Ele saltou do carro e abriu o porta-malas, tirando de lá uma placa de “vende-se”, daquelas que são sustentadas por uma madeira que é fincada na terra. Ele andou em direção à porta principal abrindo a mesma com as chaves que tirara do bolso da calça jeans, deixou a placa encostada a parede e sumiu por trás da porta. Ainda um pouco receoso, eu me levantei e fui a passos largos até lá, parei em frente à porta aberta, vendo que não havia mais nada lá, nem mesmo as caixas do dia anterior, a casa estava vazia e escura.
- É, eu esperava que você fosse aparecer por aqui uma hora dessas. – o tio de Demi sorriu saindo da casa com um martelo em uma das mãos e na outra a caixa azul-bebê, aquela do dia do nosso primeiro beijo, aquela do dia em que sua mãe faleceu – Bem, pelo menos eu não fui o único a pensar assim.
- Ela já foi? – perguntei angustiado vendo-o colocar a martelo no chão calmamente. Senti um bolo se formar em minha garganta.
- Fez questão de não ficar! – ele disse trancando a porta e então me encarou – Ela chegou e sem dizer nada subiu para o quarto, arrumou as últimas coisas que faltavam e pediu para que eu a levasse para algum lugar, qualquer lugar longe daqui, perguntei o que havia acontecido e ela se manteve firme dizendo que não queria mais ficar nessa casa, – ele riu sem humor – eu não discuti com ela, claro, é minha sobrinha e quem gostaria de ficar tanto tempo no mesmo lugar em que encontrou a mãe, aquela pessoa que significava tudo... Bem, você sabe.
Ok, aquilo não estava me ajudando em nada, se era para ele acabar com o pouquinho que ainda restava de mim, ele conseguiu.
- Eu não sei o que você fez rapaz, mas ela acordou chorando hoje, a Demi não está bem. – ele franziu o cenho – Pensei que você estivesse cuidando bem dela, acho que me enganei e ela também.
Ele suspirou e eu senti meus olhos começarem a arder, passei as mãos pelo rosto e balancei a cabeça negativamente.
- Não era pra ser assim! – eu disse baixo, me odiando cada vez mais.
- Acho que isso não vai fazer mais diferença. – ele coçou a nuca – Mas como eu disse, não fui o único a pensar que você viria aqui, – e me estendeu a caixa – ela pediu que eu lhe entregasse. Boa sorte ai com essa caixa, com a sua vida e etc.
Peguei a caixa em minhas mãos e me sentei no chão com as costas contra a porta o vendo seguir para frente da casa com a placa e o martelo. Ele fincou a ponta da madeira no gramado e martelou algumas vezes, certificando-se se a placa ficaria firme.
- Ela disse alguma coisa? – chamei sua atenção, falando com um pouco de dificuldade, como se minha garganta estivesse se fechando – Digo, disse o que eu deveria fazer com esta caixa?
Ele balançou a cabeça em negação e sem dizer mais nada se virou, indo em direção ao seu carro, abriu a porta do motorista e entrou, arrancando com o mesmo logo em seguida. Eu fiquei sentado, olhando para o nada ainda segurando a caixa por sei lá quanto tempo. Talvez por tempo suficiente até que os dudes me encontrassem ali, chorando silenciosamente.


- O senhor não preferiu evitar qualquer possibilidade de publicidade? É possível fazer a coleta em outro ambiente, como por exemplo no escritório de um advogado, – a moça da clínica perguntou, estávamos nós quatro, Robert,Demi, Melannie e eu, sentados exatamente nessa ordem frente à mesa dela – Entretanto, mesmo neste caso, as coletas ainda precisariam ser realizadas simultaneamente, o que exige a presença de todos os envolvidos.
- Não, isso não é necessário – eu disse.
- Ok. – ela sorriu simpática e tornou a olhar para os papéis que tinha em mãos – Então é uma perícia DUO, em que os envolvidos são apenas o suposto pai e filho – e olhou para nós – No caso filha, correto?
- Isso mesmo – assenti.
- Desculpe a indiscrição, mas algumas perguntas ao decorrer do processo serão necessárias. – ela disse e todos permaneceram em silêncio – A senhora é a mãe dela?
- Sim – Demi assentiu.
- E o senhor? – se referiu a Robert.
- Sou o noivo da mãe da menina – ele disse.
- Sinto muito senhor, devem estar presentes na coleta somente a criança, a mãe e o suposto pai.
- Eu não vou poder entrar? – ele franziu o cenho.
- Não no momento da coleta.
- Eu não vou poder entrar Demi! – ele olhou para ela, parecia que esperava que ela dissesse algo, que ela protestasse ou sei lá.
- É só uma coleta de sangue – ela disse séria.
Demi o olhou brevemente e voltou a afagar os cabelos da filha, que jogava um joguinho qualquer no celular da mãe, só sei disso porque a menina estava muito concentrada e o celular fazia barulhinhos engraçados e de vez em quando até tocava uma musiquinha. Sinceramente, eu tive vontade de rir por causa do modo como ela falou com ele, mas percebi que Demi estava muito incomodada com alguma coisa, ela não olha e nem fala comigo direito, na verdade, não tínhamos trocado uma palavra sequer até agora, e pelo jeito o clima entre o casal não era o dos melhores.
- Bem, – a moça chamou a nossa atenção ainda com um sorriso no rosto, acho que ela já estava acostumada com situações assim, tentando minorar qualquer constrangimento com a sua cordialidade – a nossa clínica dispõe da tecnologia mais moderna que existe e de uma equipe técnica altamente qualificada, aqui vocês encontram rigor, total atenção e sigilo. Estes papéis, – e entregou a mim e a Demi um envelope juntamente a uma folha, um tipo de cartilha e uma caneta – devem ser devidamente preenchidos com o nome completo, a filiação e todos os outros dados, informações necessárias ao banco de dados do exame.
- Então, no caso, eu preencho pela Melannie? – Demi perguntou.
- Isso. – a mulher assentiu e eu tornei a ler algumas das coisas que tinha em mãos, prestando atenção em tudo o que ela explicava – Assim que os senhores terminarem de preencher, por favor, coloquem o papel dentro do envelope e me entreguem, seus dados serão analisados e mantidos arquivados. E esta cartilha – ela indicou a qual eu folheava – tem em seu conteúdo as normas do exame, que tem a finalidade de informar as responsabilidades, direitos e deveres de cada um de vocês dentro deste processo.
- Ok – Demi disse distraidamente.
Nós começamos a preencher os papéis e quando terminamos, assim como a moça havia nos instruído, os colocamos um em cada envelope e lhe entregamos, então ela nos deixou na sala avisando que voltaria logo para a coleta. Eu passei a ler a cartilha.
- Demetria. – Robert chamou.
- Sim? – ela levantou o olhar da cartilha, e eu também.
- Dá um jeito. – ele disse simplesmente e ela continuou o encarando por alguns segundos, suspirou e se virou um pouco para a filha.
- Melannie, meu amor, desligue esse celular.
- Mas mãe... – a menina choramingou.
- Você terá que parar de jogar de qualquer forma, – ela arqueou as sobrancelhas – daqui a pouco vai tirar sangue.
- Tudo bem então – Melannie disse entre um suspiro e entregou o celular a mãe.
- Obrigada. – Demi sorriu para a filha e estendeu o celular para Robert – Segura. – e voltou a ler a cartilha.
Eu já havia terminado de ler a cartilha quando, depois de um tempo, a moça retornou a sala em que estávamos e chamou a nós três para a coleta. Demi acompanharia Melannie, não só por dever fazer isso, mas ainda mais porque a pequena insistiu por isso. Numa outra sala, fomos bem recebidos por uma enfermeira, que pediu para que eu fosse o primeiro e que quando pedisse, eu seguisse suas instruções. Sentei na cadeira a frente dela.
- O DNA é uma molécula que está presente nos cromossomos no núcleo das células de qualquer ser vivo, – ela dizia preparando o seu material – nele contém as informações genéticas, onde estão inscritas todas as características fundamentais das pessoas. Deixe o braço pender e sacuda um pouco a mão.
Ela gesticulou para mim e eu assim o fiz com a mão direita, ela, em seguida, fazendo um garrote para que a circulação de meu sangue ficasse concentrada, continuou a explicar.
- As informações genéticas estão dispostas linearmente ao longo do cromossomo, em posições denominadas locos, – e segurou minha mão com firmeza, passando um algodão úmido na ponta do meu dedo anelar – é analisando de alguns locos selecionados, de 17 a 19 locos, que realizamos o exame, atingindo um grau de certeza acima de 99,99%.
Ela passou uma lâmina na ponta do meu dedo, que já estava vermelho, fazendo um pequeno furo e uma gota de sangue começou a aparecer, então levou minha mão até um pequeno papel absorvente e apertou meu dedo, fazendo com que três gotas de sangue pingassem sobre o papel.
- Tome, – ela me entregou um pedacinho de algodão – segure para estancar.
- Dói? – Melannie perguntou baixinho ao meu lado enquanto eu segurava o algodão entre o anelar e o polegar.
- Você nem vai sentir – eu sorri para ela e me levantei.
- Ok, agora é a sua vez, – a moça sorriu para a pequena – sente-se aqui.
- Quanto tempo leva para sair o resultado? – Demi perguntou enquanto Melannie sentava-se onde eu estava antes e a moça olhou para uma das folhas que tinha sobre a mesa.
- Neste caso, o laudo sai em 48 horas. – ela disse pegando um novo material e olhou para a menina – Deixe o braço pender e sacuda um pouco a mão.
Depois de Melannie passar pelo mesmo processo que eu, mordendo o lábio inferior e fechando um dos olhos quando a moça passou a lâmina sobre seu dedo anelar, a moça informou de quando o laudo sair, serão entregues duas vias, uma para Demi e outra para mim. Quando saímos da sala, Demi e Melannie foram na frente, enquanto eu andava até a mesa da moça que havia nos atendido antes, saber sobre tudo aquilo que eu teria de pagar.
- E então? – Robert perguntou se levantando e entregou o celular de Demi a ela.
- 48 horas – ela disse simplesmente, guardando o celular na bolsa.
- Senhor Jonas – a moça sorriu assim que eu me sentei à frente dela.
- Ahm... Sobre a forma de pagamento, acho que farei a vista mesmo. – dei de ombros tirando a carteira do bolso – Você tem maquininha ai?
- Tenho. – ela disse colocando uma folha sobre a mesa – Olha, como o senhor escolheu que o laudo saísse em 48 horas, este é o valor, ok? – ela disse circulando o valor de pouco mais de 600 libras na folha.
- Sem problemas – pigarreei, sentindo uma presença ao meu lado. Demi estava com uma mão sobre o encosto da minha cadeira e a outra na mesa, ela se curvou um pouco para poder ler a folha e o que a moça havia acabado de circular.
- Você não vai pagar tudo isso sozinho, vai? – ela me encarou dizendo em voz baixa e eu dei de ombros mais uma vez – Eu vou pagar a metade.
E pela primeira vez naquele dia, ela continuou me encarando por mais de segundos e ela não estava pedindo, ela estava apenas me informando que pagaria metade. Respirei fundo, podendo sentir o aroma de seu perfume e me mexi desconfortavelmente sobre a cadeira.
- Não vai, não! – eu disse calmamente no mesmo tom – Fui eu quem pediu pelo exame.
- Mas eu quero, e você não precisa pagar por tudo.
- É o mínimo que eu posso fazer por ela, é a minha obrigação – disse ainda fitando seus olhos – e se eu posso pagar por tudo, eu vou pagar.
- Não é o seu dinheiro que nós queremos, mas sim o seu reconhecimento...
- Eu acredito em você Demi – eu a interrompi – e em qualquer outra coisa que você me diga, seja lá o que for, eu sempre vou acreditar em você, – murmurei e desviei meu olhar do seu, colocando o cartão na maquininha – agora só me deixe pagar isso aqui.
- Pode digitar a senha – a moça disse e Demi tornou a posição correta em silêncio enquanto eu digitava a senha.
- Mamãe, o Robert já está no carro e pediu pra você ir logo porque senão ele vai perder o avião. – ouvi Melannie dizer e olhei para ela, que abriu um sorrisão e veio até mim – Tchau Joe.
- Tchau pequena. – eu disse, ela beijou minha bochecha e se afastou um pouco segurando a mão da mãe – TchauDemi.
- Tchau – ela sorriu fraco.
As duas foram embora e depois de pagar tudo certinho e pegar meu recibo, eu também fui embora, como sempre, sem a menor pressa e me deixando viajar em meus pensamentos. Eu ainda estava um pouco desnorteado com essa história toda, não sabia bem ao certo em que pensar direito, eu queria o laudo daquele exame pronto para agora! Precisava de uma confirmação, mesmo já sabendo o resultado. Como eu já disse, acredito na Demi. E eu queria algo que se adicionasse a minha vida, queria uma mudança, sabia que aquela seria uma grande mudança, mas mesmo assim eu a queria. Eu queria que Melannie fosse minha filha. Sabia que era impossível, mas também queria recuperar todo o tempo perdido que eu poderia ter tido com ela. Olhei para o tráfego a minha frente e suspirei. Na verdade, eu não queria ir pra casa, pelo menos não agora. Peguei o celular no bolso do meu casaco, disquei um número bastante conhecido rapidamente e esperei chamar.
- Alô?
- Liam?
- Diz ai, ex-bitch, o que mandas? – ele riu.
- Ahm... Dude, sobre aquele negócio de a gente se encontrar na sua casa pra falar sobre as coisas da banda... – eu disse prestando atenção no tráfego.
- Você quer vir aqui hoje?
- Na verdade, eu queria agora, já estou na rua, você acha que rola?
- Claro, eu vou ligar para os dudes e preparar o estúdio.
- Ok, daqui a pouco eu estou ai!
- Beleza – e desliguei o celular. Eu não estava mais tão longe, então em poucos minutos eu já estava apertando a campainha da casa do Liam.
- Mas já? – ele riu assim que abriu a porta e me viu ali.
- E ai, dude? – eu sorri e entrei, já indo em direção ao sofá.
- Achei que você demoraria mais um pouco – ele disse fechando a porta e nós nos sentamos lado a lado – O Liam já está vindo e o Justin me agradeceu, me idolatrou, disse que me amava e que eu estava salvando a vida dele quando falei pra ele vir pra cá.
- Caramba! – eu ri enquanto via ele se afundar ainda mais no sofá colocando os pés em cima na mesa de – Pra quê tudo isso?
- Selena falando do casamento – ele riu.
- Ele vai enlouquecer – eu disse balançando a cabeça negativamente e ele franziu o cenho.
- Onde você estava que chegou tão rápido assim? – perguntou e eu percebi que ele só tinha parado pra pensar nisso agora.
- Eu estava no centro da cidade e não estava a fim de voltar pra casa tão cedo.
- Foi fazer o que no centro?
- Exame – disse simplesmente.
- Nossa dude, você está tão mal assim?
- Não, eu estou bem – eu disse coçando a nuca.
- E a Demi? – perguntou com a expressão mais suave e agora eu franzi o cenho.
- Como assim “e a Demi”?
- Não sei – deu de ombros – achei que você soubesse alguma coisa, como ela está...
- Deve estar bem, – eu disse passando as mãos pelo rosto – na verdade eu estava agora pouco com ela e acho que, querendo ou não, nós estamos nos afastando.
- E parece que você não está gostando disso nem um pouco – ele disse me olhando com os olhos comprimidos, parecendo me analisar. - Mesmo depois de todos esses anos... – ele deixou a frase morrer ali e eu apenas assenti.
Nós ficamos em silêncio, eu perdido em meus próprios pensamentos e Liam... Bem, ele não é idiota, sabia que eu estava pensando nela. Alguns minutos depois os dudes chegaram e nós descemos para o estúdio, tinha os instrumentos de cada um e todo o equipamento necessário. Nós ficávamos por lá um longo tempo para falar da banda, criar ou às vezes só para nos distrairmos e divertirmos fazendo música com qualquer porcaria que viesse em nossas mentes. Liam finalmente me explicou com quem tinha falado sobre o projeto, sem interrupções dessa vez e levou algumas coisas em que andou trabalhando para que déssemos uma olhada.
- Como é o nome dessa aqui? – Justin perguntou olhando para a folha em mãos – “Somewhere in the world, someone’s making love to this song right now...” – ele leu e começou a rir.
- O nome é This Song – Liam disse puxando a folha da mão dele – eu curti aquela que o Joe escreveu e me inspirei nela.
- Ok, nós podemos melhorar isso aqui – Liam puxou a folha e foi para junto de se instrumento.
- Você trouxe alguma coisa Joe? Aquela música seria perfeita agora – Liam disse.
- Não. – eu disse balançando a cabeça negativamente e tornei a jogar minha bolinha de papel para o alto, repetidas e repetidas vezes.
- Por quê? Você sempre trás!
- Ele já veio do centro, estava com a Demi – Liam disse.
Valeu, boletim informativo!
- Sério? – Justin se aproximou e eu suspirei colocando a bolinha de lado.
- Na verdade, eu tenho uma coisa muito importante para contar, – eu disse e eles se entreolharam – muito importante mesmo, e eu agradeceria se vocês se sentassem.
- Ai meu Deus! – Liam exclamou enquanto os três se sentavam no mesmo sofá – Você mentiu para mim? Isso não é só uma gripe e você vai morrer? – ele arregalou os olhos e levou as mãos à boca, Justin riu e Liam deu um tapa na cabeça dele.
- Dude, fica quieto, ok?
- É, – eu ri fraco – de certa forma tem um pouco a ver com a minha gripe. – gesticulei – É que... Bem... Não sei como dizer isso, mas eu vou ser, ou melhor, eu sou pai.
- Você está grávido?
- Liam, já não falei pra você ficar quieto?
- É Liam, se comporta dude! – Justin o repreendeu, segurando para não rir.
- Poxa, estou tentando descontrair!
- Quem foi que você engravidou, Jonas? – Justin riu. Respirei fundo.
- Demetria.
Eu disse simplesmente, de uma vez só, e tossi, vendo que ao menos uma das reações de todos foi parecida, eles abriram a boca, incrédulos. Liam estava com os olhos arregalados. Justin cobriu o rosto com as mãos e me olhava entre os espaços dos dedos. Já Liam me encarava com o cenho franzido.
Silêncio.
Silêncio.
E mais silêncio.
- Ninguém vai falar nada? – arqueei as sobrancelhas surpreso, normalmente começam todos a falar ao mesmo tempo.
- Ela está grávida? – Liam perguntou.
- Não, vocês sabem... Já esteve, – comecei a explicar – quando voltou para o Brasil, ela estava grávida.
- Você está querendo nos dizer que Melannie, a garotinha de olhos castanhos, é sua filha? – perguntou apoiando os cotovelos sobre os joelhos e inclinando-se para frente, ainda com a mesma expressão.
- Acabamos de fazer um exame de DNA que comprove, – eu disse e olhei para Liam – por isso Miley foi até a minha casa ontem.
Ok, não era exatamente por isso, mas também não era pelo motivo que ele temia, essa explicação já era o suficiente. Ele sorriu fraco.
- Nossa! – ele exclamou.
- Será que a Sel sabe disso? – Justin perguntou descobrindo o rosto.
- Ok, eu já suspeitava, mas DNA? – Liam se levantou – Exame de DNA? Pra que um exame de DNA?
- Quê? – eu franzi o cenho.
- Você não acredita nela?
- Opa, calma lá! – eu me levantei também – Se fosse há uns dias atrás, quando eu as levei pela primeira vez na sua casa, essa seria a primeira coisa que você diria para mim, para que eu fizesse o exame.
- Eu não sabia que era ela, não sabia dessa história sobre Melannie! – ele disse dando um passo a frente e eu vi os dudes se levantarem atrás dele – Você não a ajudou em nenhum momento Joe, nem quando começaram a namorar, nem quando ela foi embora! Se eu soubesse...
- Ah, se você soubesse Liam! – eu o interrompi e dei dois passos a frente, fixando meu olhar ao seu – Você não sabe de muitas coisas! Você ouve uma coisa ali e vê outra aqui e acaba tirando suas próprias conclusões, sempre foi assim, você e essa sua confiança cega de que eu sou sempre o errado quando algo acontece com a Demi.
- Ele tem razão – Justin disse calmamente e nós o encaramos.
- Não Bieber, ele não tem razão!
- É, ele tem sim! – ele arqueou as sobrancelhas – Dude, você exagera, protege a Demi demais e culpa o Joe por tudo.
- Ela era minha melhor amiga, ela só tinha a mãe e quando tinha algum problema, não era só ao Joe a quem ela recorria, era a todos nós, – ele gesticulou, se explicando – vocês sabem.
- Mas não era só isso, não é? – eu ri sem humor – Eu sei Liam, também não achava ser bom o bastante para ela, que ela merecia alguém melhor – e ele tornou a atenção a mim – mas quer saber? Eu nunca duvidei dela, sempre cofiei nela, a amei, queria fazer com que cada segundo da vida dela valesse à pena...
- Dude... – Liam disse em voz baixa, se aproximando.
- Não, agora eu quero falar! – balancei a cabeça negativamente e ri sem parar de encarar Liam – Meu Deus, eu a amei tanto que cheguei a ser egoísta por querer que ela ficasse comigo mesmo sabendo que ela não tinha a opção de escolher. Dude, sou eu! Você me conhece, viu e sabe que eu sofri por todos esses anos porque ela não ficou! Eu não comia, não dormia e nem falava direito, me culpando todos os dias pelo o que aconteceu e as coisas que você me dizia não ajudavam em nada.
- Ela é como uma irmã para mim, – ele pigarreou desviando o olhar do meu e deu alguns passos para trás, finalmente ele parecia ter dado o braço a torcer – eu só sentia a obrigação de cuidar dela.
- Ela cresceu, não precisa mais da gente – Liam disse parecendo um pouco desapontado.
Silêncio se instalou na sala. Ele coçou a nuca olhando para todos.
- Ok, me desculpe, – disse e eu apenas balancei a cabeça levemente – tenho agido como um babaca.
- Tudo bem.
Eu disse e suspirei aliviado, como se, inconscientemente, eu já quisesse botar para fora tudo aquilo que tinha acabado de dizer. Nunca quis enfrentar Liam assim, até mesmo porque eu achava que ele tinha razão em me culpar, mas culpa é um peso muito grande e eu não estava nem um pouco a fim de continuar carregando-a.
- Erm... Aperto de mão de macho ou abraço de boiola? – ele me olhou, um pouco sem jeito, eu ri e estendi a mão, mesmo preferindo um abraço de boiola, mas ninguém precisa saber disso.
- Quer saber? – ele segurou minha mão – Eu fiz a Tay se aproximar de Demi, porque ela tinha ficado um pouco enciumada e eu acabei me aproximando de Robert, e dude – suspirou – sou mil vezes você! – e me puxou para um abraço, eu sorri desacreditado, muito surpreso e igualmente feliz.
- Eu prefiro assim, um abraço – eu ri e os outros logo se juntaram a nós.
- Estou abraçando, mas quero que fique bem claro que eu acho isso a maior viadagem! – Justin disse e nós gargalhamos.
- Ah, curte o momento – Liam riu – E Joe, eu te aceito de volta, bitch.
Capítulo 15.
- Alô? A...? Ok, e a ligação caiu de novo – eu disse irônico, colocando o telefone no gancho mais uma vez – ou estão tirando uma com a minha cara. – conclui.
Quando pensei que eu finalmente poderia voltar para os meus papéis que estavam espalhados pela sala, o telefone começa a tocar de novo, dei meia volta, já um pouco impaciente e atendi.
- Foi você quem ligou aqui nas últimas 40 vezes?
- Erm... Não.
- Ok, quem está falando?
- Garoto, é o Fletch! – ele disse e eu relaxei a postura – Alguém te ligou 40 vezes e você não sabe quem é?
- Na verdade não foram 40, foram apenas 3 vezes, – rolei os olhos e ele riu do outro lado da linha – mas foram as 3 vezes mais irritantes da minha vida.
Mentira, eu não estava nem me importando mais.
- Entendi, mas o que você tem pra mim hein? – ele perguntou e eu olhei para as minhas queridas folhas sobre a mesinha de centro e espalhadas sobre o chão – Está criando?
- Só coisa boa pra você Fletch, como sempre!
- Ah, é isso o que eu gosto de ouvir, – ele riu – mas você está bem? Sua voz está meio estranha, meio... Você está doente?
- Estou gripado, mas não se preocupe, logo estarei melhor – me apressei em dizer a última parte antes que ele brigasse comigo e viesse com aquele discurso de que nenhum dos integrantes da banda, sem exceção, devia se descuidar e blá, blá, que corpo e garganta são muito importantes e blá.
Pigarreei.
- Tudo bem, não foi por isso que eu te liguei, tenho uma pergunta pra te fazer.
- Manda.
- Garoto, a imprensa está me enchendo a paciência à pelo menos duas semanas, ligando e mandado e-mails, querendo saber sobre uma mulher e uma garotinha com quem você e os outros, mas principalmente você, estão frequentemente sendo vistos e fotografados juntos, no começo eu achei que fossem fãs, ou sei lá! – ele dizia e eu ri fraco, podendo imaginá-lo andando de um lado para o outro e gesticulando freneticamente – Enfim, tem algo a me dizer sobre isso?
- Bem...
- Tem que ser algo concreto e verdadeiro, porém não muito chamativo, ok? – ele me interrompeu – Para que eu possa emitir uma nota, e então eles largam do nosso pé, você sabe como é... Por enquanto eles só estão de longe criando suas próprias histórias e as publicando, mas logo mais vão começar a atacar vocês.
- É, eu sei...
- Tanto vocês quanto elas, – ele me interrompeu mais uma vez e pigarreei, ia demorar até que ele me deixasse falar – mas agora me diga algo bom para acalmá-los, mostrar que não é nada de mais, pelo menos até que o novo projeto já comece a se encaminhar, vocês precisam de um tempo afastados.
- Acho que verdadeiro, porém não muito chamativo não vai rolar Fletch.
- Ora, por que não? Pelo o que eu vejo nas especulações dos parasitas... Digo, paparazzi, – ele dizia e eu, que já estava cansado de ficar de pé, me sentei no braço do sofá – você está ficando com uma mãe solteira, sei lá, pelo menos é o que parece.
- A mulher é a Demi, filha da Sue, lembra?
- Filha da Sue? Claro, não tem como esquecer aquela garota, vocês devem muito a ela! – ele soltou uma risada contida – E ela está bem?
- Está.
- Triste o que aconteceu com a Sue, muito triste.
- Pois é. – cocei a nuca e pigarreei – Bem, e a garotinha é nossa filha...
- Espera, nossa? Como assim nossa? – perguntou pausadamente, elevando um pouco o tom de voz a cada palavra.
- A garotinha é minha filha. Demi e eu namoramos na época do colégio e agora ela quer que eu assuma a paternidade, – suspirei – mas estou encarando isso bem, como uma pessoa responsável, nós fizemos o exame de DNA ontem e o laudo fica pronto amanhã.
Breve silêncio.
- Quantos anos a menininha tem?
- Sete.
- E elas apareceram só agora?
- Sim, só agora – dei de ombros.
Um pouco mais de silêncio e um suspiro cansado.
- Bem, agora eu não sei exatamente o que vou dizer na nota, mas me liga amanhã, ela deve ser emitida à imprensa. – ele disse por fim – Estou orgulhoso de você garoto, agindo como uma pessoa responsável. É importante já ter o exame porque assim ninguém pode duvidar dela...
- Era o que eu estava pensando.
- Ok, agora pare de engravidar garotas!
- Mas ela foi a primeira – franzi o cenho e ri.
- E espero que seja a única.
- Também espero – eu ri mais uma vez.
- Não brinca com isso! – ele me repreendeu e eu pigarreei.
- Foi mal.
- Não se esqueça de me ligar quando o resultado do exame estiver em suas mãos.
- Você quem manda – eu disse passando a mão pela minha barriga, estava começando a ficar com fome.
- Se cuida.
- Tchau Fletch – e desliguei o telefone.
Fui pra cozinha ver se encontrava algo para comer. Hoje, apesar de um pouco cansado, eu estava inspirado. Tinha acordado cedo e, assim como ontem, caminhei com o Snoop pra ver se ele se animava e até que deu certo, agora ele não fica se arrastando de um lado para o outro atrás de mim com aquela cara de cão abandonado, ficou mordendo e puxando a almofada dele, brincando. Já eu, parei de tossir e espirar, mas ainda sentia a garganta arranhar, o nariz congestionava, eu pigarreava constantemente e o corpo parecia pesar toneladas. Mas não me venha com sermões, esqueça, eu não vou ao médico! Tenho certeza de que vão me entupir de remédios, então sem chance!
Abri os armários e graças a Deus tinha coisa lá dentro! Fiquei um bom tempo olhando para os armários abertos e senti falta de panquecas, decidi na hora que era isso que eu ia fazer. Panquecas... E um pouco de bagunça, já que não sou um dos melhores cozinheiros do mundo e eu estou sempre fazendo uma bagunça. Sempre, era quase parte do repertório. Peguei o fermento e o açúcar, colocando-os na pia e então ouvi a campainha tocar, seguido de um latido do Snoop. Devia ser a Poppy, hoje ela estava arrumando o andar de cima desde cedo e como ela lavaria os banheiros, precisava de certos produtos de limpeza que eu não havia comprado. Será que eu não dei a chave reserva antes de ela ir para o mercado? Eu jurava que sim. Enfim, deixei os armários abertos e segui para a sala, peguei a coberta que eu tinha deixado no chão junto aos papéis e a joguei sobre o sofá, pigarreei e segui para a porta com Snoop em meu encalço, abrindo a mesma.
Engoli a seco. Erm... Não era a Poppy.
Ela estava de all star preto, calça jeans, que modelava bem suas lindas pernas e estava com as mãos enfiadas nos bolsos de um moletom sem zíper também preta, os cabelos soltos caindo sobre os ombros e sem nenhuma maquiagem no rosto. Eu gostava quando ela estava vestida com roupas que a tornavam uma mulher sexy e bem decidida de apenas 23 anos, mas também senti falta de ver aquela garota que não se importava com os outros e vestia exatamente o que queria, até mesmo porque não precisava fazer muito esforço para ficar linda. Não pude evitar que meus lábios se curvassem num leve sorriso ao vê-la vestida assim e por poder sentir seu perfume novamente. Ela respirou fundo e fixou seu olhar ao meu, dando um passo a frente.
- Joe – ela disse simplesmente, inconscientemente num timbre de voz sensual e tentador.
Ou talvez conscientemente.
Estremeci por dentro e levei a mão à nuca. Porcaria de efeitos.
Ou talvez seja só uma viagem da minha cabeça.
- Oi Demi – eu disse com os olhos fixos nos seus.
- Ahm... Tudo bem com você? – sorriu fraco encolhendo os ombros.
- Tudo e com você?
- Também. – ela disse e mordeu os lábios olhando brevemente para o chão, parecendo um pouco desconfortável – Está melhor? Você me pareceu um pouco cansado ontem.
- É, a gripe não aliviou para o meu lado. – pigarreei – Por favor, entre. – eu disse e abri espaço.
- Não precisa, eu só...
- Eu insisto. – a interrompi. Ela sorriu fraco, passou a mão pela cabeça de Snoop e por fim entrou.
- Desculpe aparecer sem avisar, – a ouvi dizer enquanto eu fechava a porta – espero não estar te atrapalhando.
- Tudo bem – eu disse me virando, ela olhava para os papéis espalhados pelo chão em que Snoop pisava em cima para ir até a sua grande almofada – eu não estava fazendo nada de mais, – e me aproximei – isso aqui é só... Um pouco de bagunça.
- Ah, sim, entendi. – ela me olhou rapidamente e soltou uma risada contida – Na verdade Joe, eu tentei ligar antes... Umas... – gesticulou – Sei lá, 30 vezes ou mais.
- Tem certeza? 30 vezes? – eu ri.
- Ok, foram 3 vezes – ela disse levantando a mão, mostrando os 3 dedos e sorriu mordeu o lábio inferior.
- Ah, agora está explicado – eu arqueei as sobrancelhas e cruzei os braços.
- Liguei, mas nem esperei pra saber se você atenderia, – ela disse e jogou uma mecha do cabelo atrás da orelha – eu vim, mas também esperava que você não estivesse aqui, seria mais fácil, pra pelo menos poder dizer que eu tentei falar contigo.
Franzi o cenho e Demi finalmente me encarou.
- Admitir erros não é a coisa que mais gosto de fazer, mas eu lhe devo desculpas Joe, você está aceitando muito bem a Melannie e eu não estou te dando os devidos créditos por isso. – riu fraco – Provavelmente você não saiba, mas antes de te contar e de contar a ela, Melannie já ficava me dizendo como adoraria que o pai dela fosse exatamente como você.
Ela disse e eu, lembrando o que Melannie disse ontem quando me abraçou, senti uma ligeira dificuldade para respirar, então passei as mãos pelo rosto.
- Você não tem que se desculpar por nada Demi, – eu disse voltando a cruzar os braços e pigarreei – sério, eu estou só fazendo o que é certo.
- Não, eu estava frustrada comigo mesma e descontei em você, fui muito insensível, – ela disse encolhendo os ombros – desculpe, eu não quero que esse clima estranho entre a gente continue, não é bom pra nenhum de nós dois... E não é bom principalmente para Melannie.
Suspirei.
- Ela sabe que eu faço qualquer coisa que me pedir, – ela sorriu e fitou o chão balançando a cabeça negativamente – percebeu o modo como nos falamos na clínica e me convenceu a falar com você.
- Ela é... Realmente uma menina incrível! Você tem feito um ótimo trabalho. – sorri de lado e ela tornou a me encarar – Onde ela está?
- Com a tia – disse simplesmente.
- Hm, ok mãe da minha filha, – eu disse levantando o dedo mínimo e ela riu – a gente pode voltar a ficar de bem – arqueei as sobrancelhas e ela sorriu, entrelaçando seu dedo gélido ao meu.
- Mas o resultado nem saiu ainda...
- Não tem o que discutir, ela tem os meus lindos olhos castanhos – pisquei.
- Você não existe, sabia? – Demi sorriu soltando seu dedo do meu e colocando a mão novamente no bolso da blusa – Então está tudo bem, certo? Posso voltar pra casa mais tranquila?
- Claro! Mas... – eu disse olhando para o vão da porta que levava até a cozinha, sentindo a fome apertar e Demi seguiu o meu olhar – Ahm, você está com pressa?
- Por quê? – perguntou me olhando com o cenho franzido.
- Porque eu estou com fome, inventei de fazer panquecas, mas não me lembro muito bem como se faz.
- Sério? – ela comprimiu os olhos.
Não.
- Sério. – estalei a boca – Será que você pode me ajudar?
- Bem... – ela mordeu os lábios balançando o corpo para frente e para trás, pensando.
- Claro que pode, não é? – eu disse – Afinal, eu lembro que você ficou de me ajudar com as compras, mas eu já fiz e agora você está me devendo uma! – sorri e ela abriu a boca incrédula.
- Eu não disse que com certeza ajudaria, – ela riu – disse apenas que pensaria no seu caso.
- Ah, legal! E enquanto você pensa, eu passo fome? – ironizei.
- Verdade, – ela riu mais ainda e levou a mão à boca – desculpe, pensando assim foi muita maldade da minha parte.
- Pois é, agora pode vir comigo pra cozinha, – eu disse passando o braço sobre seus ombros e nós seguimos para a cozinha lado a lado – você tem que se redimir.
- Ok, eu vou. – Demi me olhou pelo canto dos olhos – Só me lembre de nunca mais te prometer alguma coisa, não é sempre que terei tempo para cumpri-las cozinhando.
- Beleza – eu ri a soltando e abri a geladeira.
- Hm... O que você quer que eu faça exatamente?
- Será que você alcança a farinha no armário? – perguntei colocando a bandeja de ovos e o leite em cima da pia, e olhei para ela – Ou é muito alto para você?
- Eu alcanço, ok? – ela disse colocando as mãos na cintura e eu ri.
- Eu não disse nada de mais! – eu disse levantando as mãos na altura dos ombros em sinal de inocência – Está naquele armário ali. – indiquei com a cabeça.
Demi olhou de mim para o armário, do armário para mim e eu ri pegando o frasco de mel. Aquilo seria engraçado, ela não alcançaria nunca! Encostei-me contra a pia e abri o frasco, vendo-a se esticar para alcançar o pacote de farinha que estava no armário que eu tinha deixado aberto antes de atender a porta, despejei um pouco de mel na boca e cruzei os braços, Demi ficou na ponta dos pés, deu alguns pulinhos e bufou frustrada.
- Quer ajuda? – perguntei segurando para não rir.
- Não, – ela abanou o ar sem olhar para mim – eu estou quase conseguindo.
- Não é o que me parece – eu disse num tom brincalhão.
- Eu só preciso de uma cadeira...
- Não, você precisa de mim – eu disse deixando o frasco de mel sobre a pia e fui até ela, ficando ao seu lado e estiquei o braço, ou pelo menos tentei, mas Demi não deixou.
- Jonas, eu consigo! – ela disse segurando meu braço e seus dedos gélidos sobre a minha pele fizeram com que eu me arrepiasse. Uma sensação que eu gostei bastante, diga-se de passagem. br>- Qual é Demi? Você é baixinha demais pra alcançar.
- É, mas você também não é um dos mais altos – ela riu.
- Do que você está falando? – franzi o cenho – Eu sou maior que você – eu disse e ela chegou mais perto, encostando seu braço ao meu, nos medindo pelos ombros.
- Eu sou quase do seu tamanho – ela disse com um sorriso divertido brincando em seus lábios e eu gargalhei.
- Como quase? Falta um palmo, ou mais, para o seu ombro ficar na altura do meu!
- É que eu estou sem salto, – ela riu colocando um pé para frente, mostrando o all star – hoje é uma exceção, mas normalmente eu estou sempre de salto, é quase parte de mim! – deu de ombros e eu joguei a cabeça pra trás, gargalhando ainda mais.
- Jura? – perguntei entre risos – Então por hoje ser uma exceção, eu pego...
- Não, Joe...
Demi tentou protestar e nós dois esticamos os braços para alcançar o pacote de farinha, ela alcançou a pontinha com a ponta dos dedos, mas o que não tínhamos visto era que o saco estava praticamente aberto, somente com um nó frouxo, muito do mal feito! E sem saber, eu puxei o fundo, fazendo com que o saco virasse e despejasse toda a farinha sobre nós. Não podendo fazer nada para impedir, eu só fechei os olhos segurando a embalagem e sentindo todo aquele pó branco cair.
- Que maravilha. – ela disse irônica. Eu abri os olhos e gargalhei.
- Você está toda branca! – eu disse passando a mão na sua cabeça, fazendo a farinha se espalhar no ar.
- A culpa é toda sua! – ela me deu um tapa no braço, segurando para não rir – Nada disso teria acontecido se você tivesse me deixado pegar a cadeira.
- Ah! Demi, não fica brava, – eu ri e coloquei a embalagem em cima da pia, a empurrando um pouco para que se juntasse com os outros ingredientes que eu já havia deixado ali e tornei a atenção para as minhas roupas – tem que aprender a brincar.
- Ei! Eu sei brincar sim! – protestou se afastando um pouco e eu estalei a boca.
- Sabe nada – eu disse passando as mãos pelos cabelos, fazendo o excesso de farinha cair.
- Sei sim, quer ver? – perguntou e eu olhei para ela, que estava com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso discreto no canto dos lábios.
- Quero! – eu disse e me aproximei cerrando os olhos e em seguida senti a mão dela esmagando um ovo sobre minha cabeça – Não, você não fez isso! – eu disse entortando o maxilar.
- Ah, eu fiz sim – ela fez careta rindo e limpou a mão no meu rosto – e adorei.
- Então se prepara, porque agora é guerra! – declarei e a agarrei pela cintura, a arrastando pra mais perto da bandeja de ovos e Demi soltou um gritinho.
- Não Joe, por favor, – ela pediu entre risos tentando se soltar – por favor...
- Tarde demais...
Eu ri pegando um ovo de cada vez e quebrei três na cabeça dela. Quando Demi conseguiu se soltar, ela pegou o frasco de mel e o apertou, esguichando mel no meu rosto, pescoço e por toda a minha camisa, peguei o saco de farinha e o pouquinho que tinha lá eu joguei nela.
- Ai! Joe, meus olhos – ela jogou o frasco de mel no chão, levou as mãos ao rosto e eu me desesperei na hora, vendo-a se curvar um pouco para frente.
- Meu Deus, Demi, me desculpa, desculpa, desculpa... – pedi repetidas vezes colocando as mãos em sua cintura e tentei ver seu rosto – por favor, me perdoa...
- Estão ardendo – choramingou.
- Deixe-me ver – eu disse a guiando, fazendo com se encostasse contra a pia.
- Não!
- Demi, por favor – pedi apoiando as mãos na pia, uma de cada lado de seu corpo.
- Não.
- Por favor, Demi, é sério – eu disse e ela suspirou.
- Ok – ela abaixou as mãos as colocando atrás do corpo, ainda com os olhos fechados.
- Agora abre os olhos. – eu disse e ela riu apertando os olhos – Abre os olhos, mulher!
Ela se mexeu entre meus braços, abriu os olhos e... PÁ! Um ovo esmagado na minha testa e Demi gargalhando da minha cara.
- Você me enganou – fechei os olhos passando uma das mãos pelo rosto, afastando toda aquela meleca do meu rosto e suspirei derrotado – e acabou com a minha chance de comer panquecas... Voltamos a ser adolescentes, é?
- Você me desafiou, disse que eu não sabia brincar – ela disse entre risos.
- Mas você gostou! – arqueei as sobrancelhas e ela tentou reprimir o sorriso. Olhei em volta jogando pra trás os fios de cabelo que grudavam em minha testa – A Poppy que não vai gostar nem um pouquinho.
- Poppy?
- Minha nova empregada – eu disse simplesmente, tornando a encará-la.
- Hm... Ela cuida de crianças também?
- Não sei, por quê? – franzi o cenho.
- Mi não vai ficar aqui pra sempre, – deu de ombros com um pouco de tristeza em seu tom de voz – ela quer voltar pra casa depois do meu casamento.
- Sério? – estranhei e ela abaixou o olhar.
- Aham. – murmurou e eu senti seu dedo passar suavemente pela base de meu pescoço, Demi encarou o polegar, que agora tinha um pouco de mel e o levou até os lábios.
Tentei me convencer de que fora um ato inconsciente da parte dela, que aqueles pensamentos que me inundavam agora eram apenas mais uma obra da minha cabeça, me pregando peças novamente, e que meu corpo só estava sentindo coisas pelas quais ele clamava loucamente. Um contato maior com a pele dela, de imediato. Ouvimos o barulho da tranca da porta principal, Demi me encarou e eu suspirei. Qual é? Isso é pior do que tortura!
- É a empregada? – Demi perguntou quase num sussurro.
- É – eu disse sem conseguir tirar os olhos de sua boca.
- Senhor Jonas? – ouvimos a voz se aproximar, mas não movemos um só músculo – Ai, meu Deus, o que houve aqui?
Ouvimos minha empregada perguntarm. Demi e eu rimos e relutantemente, eu me virei para Poppy, que estava empacotada em roupas de frio e com as bochechas rosadas, segurando algumas correspondências entre as mãos, ela olhava para a cozinha com os olhos arregalados. Pigarreei.
- Poppy, esta é a Demetria, – eu disse e as duas apenas sorriram trocando um leve aceno de cabeça – é provável que você a veja bastante nesses próximos dias e com certeza ela é a causadora de toda essa bagunça.
- Joe! – Demi repreendeu rindo, me deu um tapa no braço e depois tornou o olhar à Poppy; percebeu com ela está adorando me bater hoje?
- Vândala!
- Olha Poppy, – ela rolou os olhos me ignorando – eu sinto muito por isso, mas pode deixar que nós vamos limpar.
- É um prazer conhecê-la, – Poppy sorriu daquele seu jeito cordial – mas não precisa se preocupar, limpar e arrumar a bagunça do senhor Jonas é parte do meu trabalho.
A Poppy está muito preparada para as minhas bagunças... Aposto que foi minha irmã quem já a alarmou sobre isso. O que é bom, porém um pouco constrangedor por ser uma má fama.
- E com certeza essa farinha deve estar te incomodando... – ela continuou – É farinha, não é?
Demi e eu nos entreolhamos e começamos a gargalhar. Com certeza aquela farinha estava nos incomodando, e muito, entrando em lugares que não devia.
- Sim, é farinha. – eu disse e respirei fundo, recuperando ar – Desculpe Poppy, daqui a pouco eu desço para nos acertamos, pode ser?
- Está ótimo!
- Vem Demi, – eu disse e peguei em sua mão, a puxando para fora da cozinha – vamos dar um jeito nessa farinha e nesse cheiro de ovo.
- Já está enjoando, não é? – ela me olhou rindo – E desculpe mais uma vez – disse por cima do ombro e Poppy riu.
- Tudo bem...
Entrelaçamos nossas mãos e enquanto subíamos as escadas Demi riu fraco.
- Não posso voltar pra casa assim – ela disse – Sair daqui toda lambuzada definitivamente não estava nos meus planos.
- Por quê? Robert não vai gostar? – eu disse de má vontade e a olhei com as sobrancelhas arqueadas.
- Não, Robert foi viajar. Não estou de carro, então minha preocupação é com as pessoas na rua, que me olhariam como se eu fosse louca... – ela coçou a nuca e eu ri abrindo a porta do meu quarto – Principalmente Miley... EMelannie então?
- Não se preocupe, você pode tomar um banho, nós colocamos sua roupa pra lavar e fica tudo certo – eu disse entrando no quarto, puxando Demi junto comigo.
- Não me parece uma má ideia – deu de ombros.
- Eu vou pegar uma roupa pra mim e vou para o quarto de hóspedes. – gesticulei com a mão livre – Você pode ficar a vontade aqui e pegar qualquer roupa no closet, já que terá que esperar suas roupas secarem, e tem toalha limpa no banheiro.
- Ok.
Olhei para nossas mãos ainda entrelaçadas por breves segundos e encarei Demi, que fitava o chão mordendo o lábio inferior. Tentação, essa era a palavra que poderia definir Demi nesse momento para mim, mas agora, se eu quiser que tudo ocorra bem, tenho que pensar bem antes de fazer qualquer coisa. Então, mesmo ainda relutante ao tentar me afastar dela, eu a soltei e levei a mão à nuca, um pouco sem graça, a deixando no centro do cômodo, e fui até o closet. Tenho certeza de que nesse momento não tem ninguém no mundo mais indeciso no que fazer e confuso no que pensar do que eu. Abri a porta somente o necessário para que eu pudesse entrar e recolhi as roupas que estavam espalhadas – estavam limpas, só estavam largadas porque na pressa de achar a que queria eu as jogava no chão. Peguei a caixa azul-bebê – que desde que resolvi revirá-la ainda se encontrava à vista –, fechei e a coloquei no alto, em uma das prateleiras. Peguei a roupa que usaria e deixei o closet.
- Eu vou... – eu disse passando por Demi e apontando para a porta.
- Ah, ok. – ela sorriu e eu, que estava já no corredor, levei a mão livre à maçaneta a fim de fechar a porta – Ahm...Joe?
- Sim? – a encarei e ela veio até a porta.
- Espero que a gente continue assim, – sorriu sincera – eu gosto de ter você por perto.
- Não se preocupe com a gente, – eu disse dando um passo a frente, segurei delicadamente seu rosto com uma das mãos e beijei sua testa – nós estamos bem, – e me afastei – nós sempre acabaremos bem.
Demi mordeu os lábios e assentiu, desviando o olhar do meu para um ponto qualquer no chão, talvez fazendo o mesmo que eu: Tentando se convencer de que o que eu disse era verdade. E deu um passo para trás, enquanto minha mão tornava a maçaneta e então eu fechei a porta, mas permaneci ali, parado no corredor com o olhar perdido e a mão firme em volta da maçaneta. Será mesmo que nós acabaremos bem? Eu nem me lembro como eu era antes de ela aparecer. A minha história e eu só acabaríamos bem se ela estivesse comigo, se Demi e Melannie estivessem comigo. Pois é, eu quero o pacote inteiro, tem como?
Segurei o meu próprio suspiro ao ouvir um murmúrio e um suspiro profundo do outro lado, seguido de passos e o som de uma porta se abrindo. Eu estava a ponto de abrir a porta novamente, mas pensei duas vezes e resolvi deixar meus devaneios de lado, desci para a cozinha e ri fraco ao encontrar Poppy limpando a bagunça que a Demi fez.
- Poppy, quando terminar na cozinha você já pode ir, ok? – eu disse e ela me olhou.
- Tudo bem – deu de ombros.
- Outra coisa... Você sabe fazer panquecas? – perguntei e ela sorriu franzindo o cenho.
- Sei. – e soltou uma risada contida – Era isso que estavam tentando fazer?

- Joe! – ouvi Justin gritar meu nome, mas não movi nenhum músculo do meu corpo.
- Que placa é essa? – a voz de Liam se aproximava – Mas que diabos...?
- Joe, dude, – Liam ajoelhou-se na minha frente.
Eu diria que ele tinha a expressão preocupada, mas eu não conseguia enxergar direito, minha vista estava embaçada. Eu chorei por ela mais uma vez.
-Você está bem? O que aconteceu?
- Não tem ninguém na casa – Justin disse calmamente.
- Joe! – Liam chamou, mas eu continuei da mesma forma.
Eu não via nada além dos olhos de Liam, que me encarava fixamente. Não me atrevi a mexer um dedo sequer, sabe-se lá o que mais eu poderia estragar. Liam tirou Liam da minha frente e agarrou meus ombros.
- Porra Joe! Fala com a gente!
- Ela foi embora – funguei e passei as mãos nos olhos.
- E essa caixa ai? – Justin perguntou e eu me abracei mais a ela.
- Ela deixou aqui para mim. 

Deixei Poppy terminar de arrumar a cozinha e eu subi pra o segundo andar, quando cheguei ao topo da escada senti o corpo pesar mais uma vez e uma dor nas costas lancinante. Incrível que durante todo aquele pequeno tempo em que estive hoje com a Demi, eu não senti nada, nem uma pontada de dor. Espreguicei-me a fim de afastá-la, segui para o banheiro do quarto de hóspedes e finalmente tomei o meu banho, relaxando sob a água quente. Quando terminei, coloquei a roupa e desci as escadas o mais rápido que pude, afinal, minhas panquecas esperavam por mim.
- Ah, eu adoro, se a senhora precis...
- Poppy, senhora não, por favor! Pode me chamar de Demi, – ela riu – sou mãe, mas só tenho 23 aninhos e ainda nem me casei.
As duas estavam de costas para mim. Demi estava de meias, com o meu short branco – daqueles que tem um cordão por dentro para que possa ajustá-lo –, que para ela parecia mais uma bermuda, e com a minha camisa preta de manga longa do The Who, a qual eu já nem me lembrava mais. Onde será ela achou aquela camisa? Ficou bem melhor nela do que em mim. Seus cabelos estavam úmidos e penteados, a toalha que ela usou estava sobre um de seus ombros.
- Ok, – Poppy disse entre risos – mas se precisar, é só falar comigo.
- Precisar de que? – perguntei entrando na cozinha e elas se viraram para mim.
- De alguém que cuide da Melannie depois que a Mi me abandonar – Demi fez bico e deu de ombros enquanto eu me aproximava.
- Sério? – franzi o cenho me postando ao lado dela.
- Aham – piscou e mordeu o lábio inferior.
Já disse como eu adoro esse modo doce como ela olha pra mim?
Pigarreei.
- Você vai mesmo roubar a Poppy de mim? – brinquei e elas riram.
- Jonas, ela adora crianças, – ela sorriu de lado e tornou a atenção a empregada – e eu lhe asseguro de que sou uma patroa muito melhor – e deu uma piscadela para a mesma.
- Não tem vergonha de falar essas coisas na minha cara? – me fiz de ofendido.
- Claro que não, eu não disse nada de mais. – riu balançando a cabeça negativamente. Olhou para o celular em mãos que começava a tocar e eu tirei minha mão de sua cintura, sem conseguir me lembrar em que momento eu tinha a pousado ali – Falando em patrão... Com licença.
- A toalha – eu disse puxando a toalha que estava em seu ombro.
- Obrigada – sorriu agradecida, logo se virado, e eu a segui com o olhar até ela desaparecer pelo vão da porta.
- Gostei dela. – Poppy disse depois de um tempo – Vocês vão se casar em breve?
Poppy colocou sobre a bancada o frasco de mel, que estava pela metade e um prato com uma pilha de panquecas que me fizeram aguar. Senti meu estômago se contorcer e eu só conseguia pensar em comida. Precisava colocar alguma coisa pra dentro agora! Eu já estava pra agradecer Poppy pelas panquecas, dizer que não sabia o que faria sem ela, mas então me dei conta do que ela tinha acabado de me perguntar.
- Casar? – franzi o cenho pegando um pedaço de panqueca com a mão livre e coloquei na boca.
- Sim, eu notei o lindo anel na mão dela, – disse calmamente e pegou a toalha que eu ainda segurava – notei também o modo como se falam, olham; com respeito, carinho... – eu ri e ela ruborizou – E eu já estou falando demais, não é? Desculpe a indiscrição senhor Jonas!
- Tudo bem! – pigarreei – Eu gostaria de dizer que sim, mas – eu ri sem humor jogando mel sobre as panquecas – infelizmente não fui eu quem lhe deu aquele anel e não é comigo que Demi vai se casar.
- Ah, sinto muito – disse meio sem graça enquanto eu me sentava num dos bancos altos junto à bancada, e colocou a minha frente uma jarra de suco, um copo e talheres.
- Um dia desses, eu te explico melhor sobre Demi e eu.
- O senhor não precisa... – se apressou a dizer, mas eu a interrompi.
- Acredite, se amanhã tudo sair como eu espero, é importante que você saiba o que acontece entre a gente – eu sorri amigável, pensando no exame de DNA, e ela retribuiu assentindo.
- O senhor precisa de mais alguma coisa?
- Não Poppy, obrigado, você é um anjo, fez tudo e muito mais – eu disse apontando para o chão e todos os outros lugares que ela teve que limpar depois da tentativa fracassada minha e de Demi de fazer panquecas. E ela sorriu.
- Ok. – ela se afastou, foi provavelmente na lavanderia para pendurar a toalha molhada no varal e depois passou por mim – Até mais!
- Até! – eu disse.
Respirei fundo, ignorando a breve dor no peito, costelas, sei lá! Só sei que doía tudo. Então tornei a atenção às minhas tão queridas e esperadas panquecas. No prato tinha pelo menos seis daquelas bem gordinhas e deliciosas, não sei ao certo, não me dei ao trabalho de contar. Saboreando cada pedaço, ouvi Poppy se despedir de Demi e logo depois o som da porta principal se fechando, coloquei mais um pedaço na boca e servi meu copo de suco.
- Joe? – ouvi Demi me chamar e levantei o olhar, ela estava no vão da porta – Acho que vou embora...
- Ahm? – franzi o cenho e ela riu.
- Acho que vou embora – repetiu dando alguns passos a frente e eu balancei a cabeça negativamente.
- Quê? – perguntei mastigando e engolindo o mais rápido que pude pra poder falar alguma coisa que prestasse, que não desse a impressão de que estava ficando surdo e me levantei, andando até ela – Sua roupa nem deve estar limpa ainda, quanto mais seca, vai embora como?
- Não sei, eu dou um jeito! – deu de ombros e postei as mãos em seus braços, sem parar de andar, fazendo-a dar passos cegos para trás – Já estou te dando trabalho demais e estou me sentindo envergo...
- Não, não, não, fica! – disse com os olhos cravados aos seus e um sorriso brotando no canto de meus lábios – Lembra do que disse lá em cima? Que não era uma má ideia.
- Acho que agora eu não tenho tanta certeza disso – disse num tom baixo.
- E não está me dando trabalho nenhum, você sabe muito bem que eu te quero aqui. – eu disse, então ela parou abruptamente de andar quando já estávamos praticamente na sala e continuou a me encarar em silêncio – Combinamos ficar de bem, sem clima estranho entre a gente, mas isso não será possível se você tentar fugir de mim de novo.
- Eu não fujo de você – ela disse desviando seu olhar do meu por alguns segundos e eu ri franzindo o cenho.
Ela estava mentindo. Eu sabia, não somente por alguns fatos que ocorreram anteriormente, mas também pelo modo como disse. Ela desvia o olhar, sua voz adota um timbre que mostra que nem ela acredita no que está dizendo, um tanto inseguro, perde a firmeza. Demi não gostava de mentiras e não era difícil identificar quando a própria estava o fazendo, ou pelo menos o tentando.
- Isso não me soou tão convincente.
- Ok, não é nenhuma novidade que eu não sei mentir, então não me pressiona – rolou os olhos mais uma vez, rindo derrotada.
- Não estou te pressionando! – eu disse arqueando uma das sobrancelhas – Nós estamos apenas conversando... Uma conversa casual.
- Sério? – ela comprimiu os olhos – Você vai largar suas panquecas por uma conversa casual?
- Ah não, também não é pra tanto... – eu disse a puxando de volta para a cozinha e Demi jogou a cabeça para trás, soltando uma gargalhada gostosa – A gente pode conversar perto delas.
- Da próxima vez a gente pode fazer brigadeiro, – ela disse e eu arqueei as sobrancelhas, tornando ao meu lugar frente às panquecas – é muito mais fácil e muito mais gostoso.
- Bri... O que? – franzi o cenho enfiando o garfo num pedaço de panqueca e ela riu, debruçando-se sobre a bancada de mármore.
- Brigadeiro – ela disse pausadamente, como se estivesse falando com uma criança, mas, para mim, seus lábios eram provocantes demais.
Tentei repetir do mesmo modo o que ela havia dito. De primeira eu gaguejei, por precisar de breves segundos para me recuperar do efeito que ela havia causado sobre mim, e da segunda vez eu pensei ter acertado, mas ela riu novamente.
- Português não é o seu forte.
- Quem vê, pensa que você é brasileira – rolei os olhos.
- Mas eu sou! – ela riu.
- Nasceu, morou lá... – dei de ombros, indiferente – Mas você sabe que a sua vida é aqui.
Se havia mais coisas por trás de minhas palavras? Claro! E eu não desviei meu olhar do seu um só segundo, até ela sorrir meio sem jeito.
- É, você tem razão, com sotaque britânico é mais bonito – tentou mudar de assunto e eu sorri de lado.
- Está me cantando, Demetria Lovato? – arqueei uma das sobrancelhas e enfiei o pedaço de panqueca na boca pra não rir da cara que ela fez.
- Eu? – perguntou acertando a postura.
- Aham. – murmurei sorrindo – Por acaso você não estava com medo de ficar aqui sozinha comigo, estava?
Capítulo 16.
- Com certeza tem várias já espalhadas por ai, em revistas, na internet, em programas de fofoca... Eu não sei, não procuro ver essas coisas por ai, as fotos tudo bem, mas o que dizem é muita mentira inventada!
- Acho que essa foi tirada ontem, – e balançou a cabeça negativamente – acho não, pensando bem, eu tenho certeza, são as mesmas roupas que vocês usavam ontem.
- E como era?
- Você a abraçava e ela estava com os olhinhos fechados com força.
- Ela disse que sempre sentia minha falta – eu disse calmamente e Demi abaixou o olhar.
- Acha que vão me julgar por isso? – perguntou e riu sem humor – Porque sinceramente, eu mesma já estou me julgando, condenando...
- Eu falei com o Fletch hoje, – eu disse e ela me encarou – provavelmente não farão isso se tivermos o exame em mãos e se eu deixar bem claro de que é a minha vida, e se por mim está tudo bem, ninguém deve se preocupar com nada.
- Suas fãs vão achar que sou uma bela de uma golpista e me odiar pra sempre – ela riu.
- Ah sim, pode esperar por um ataque pelo twitter, será a primeira guerra virtual! – brinquei rolando os olhos e ela riu mais ainda.
- Melhor do que um ataque na rua...
- Isso você pode esperar dos parasitas – eu disse, ela fez careta e suspirou.
- Será que podemos abrir o laudo juntos? Melannie, você e eu?
- Claro. – eu sorri e ela assentiu levemente.
Então ela suspirou e deixou que um sorriso brotasse em seus lábios.
- Ok, agora me conte alguma coisa sobre você, – ela disse animada – mas alguma coisa que eu ainda não saiba.
- Sobre mim? – franzi o cenho rindo e ela assentiu – Não tem nada que ninguém saiba sobre mim, minha vida é um livro aberto!
- Ah, corta essa Joe, até parece que você não tem um segredinho sequer! – ela disse e eu pensei bem.
Alguma coisa que Demi ainda não saiba...
- Não me lembro de nada agora.
Mentira.
- Sério? – ela fez bico. Covardia.
- Ok, eu lembrei! – eu disse jogando as mãos para o alto e ela riu – Uma coisa que você ainda não sabe é que... – pigarreei – Bem, euaindatenhoacaixaazul-bebê.
- Quê? – franziu o cenho acertando a postura.
- Eu ainda tenho a caixa azul-bebê – eu disse e mordi o lábio inferior, envergonhado. Afinal, vamos combinar, no começo você pode até pensar que isso é bonitinho, que eu guardei a caixa porque senti falta de Demi, mas pense melhor, que tipo de cara guarda as coisas da ex-namorada por tanto tempo? Um problemático, sem vida, ou sei lá.
- Eu sei disso. – ela disse simplesmente e foi a minha vez de franzir o cenho – Eu entrei no seu closet por engano no dia seguinte a patinação no gelo, achei que era o banheiro.
- Ela estava no chão – como eu sou idiota, é óbvio que ela teria visto, quem mandou deixar no chão?
- É, – ela sorriu docemente – acho até eu que mereço meu cachorrinho de pelúcia de laço azul de volta – encolheu os ombros e eu ri.
- Eu estava pensando em dá-lo a Melannie...
- Não, Melannie quer um de animal de estimação, um bicho de verdade, dar um de pelúcia não vai ajudar muito. – ela disse e eu me levantei – Aonde você vai?
- Já volto!
Subi as escadas, tossi algumas vezes abrindo a porta do meu quarto e peguei no closet a caixa azul-bebê e uma blusa, estava esfriando. Coloquei a mesma e voltei para a sala. Sentei-me no sofá novamente sob o olhar atento deDemi e coloquei a caixa no chão, abri a mesma e tirei de lá cachorro de pelúcia.
- Cuida bem dele, viu? – eu disse e ela riu o pegando a minha mão.
- Acredita que depois eu me arrependi de tê-lo deixado pra trás? – sorriu e o abraçou – Ele tem o seu cheiro.
- Tem?
Engraçado, sempre achei que fosse o contrário, que ele tivesse o cheiro dela, talvez por causa disso eu tenha passado muitas noites dormindo abraçado àquele cachorro. Talvez não, com certeza foi por isso.
- Sim, – assentiu olhando e arrumando o laço azul do cachorro de pelúcia – levemente amadeirado, com bergamota, maçã verde...
Ela deixou a frase morrer ali e eu pisquei. Vem cá Demi, você leu o rótulo do meu perfume, ou realmente sabia disso?
- E pode deixar, eu vou cuidar muito bem dele. – ela me encarou sorrindo levemente, eu apenas assenti, sem saber ao certo o que dizer – Mas então, acho que você ficou me devendo, porque essa “revelação” não valeu.
- Lógico que valeu! Acho que essa é uma das únicas coisas que ainda não saiu estampado numa revista. – eu disse e ela riu – Estou com sede, quer beber alguma coisa?
- O que você tem ai? – perguntou e eu franzi o cenho olhando para o alto, tentando visualizar a porta da geladeira aberta.
Memória fotográfica? Não, apenas o hábito de colocar tudo no mesmo lugar.
- Água, leite, suco... Vinho! – eu disse tornando meu olhar a ela e me levantei – Demi, eu tenho um ótimo vinho...
- E desde quando vinho mata sede? – perguntou arqueando uma das sobrancelhas e eu ri dando de ombro – Sério, acho melhor não...
- Por quê?
- Joe, você ainda não está bem de saúde, – disse colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha – tem certeza de que pode tomar vinho? Sério, vinho? – repetiu para dar ênfase e eu ri.
- Faz bem para o sangue – dei de ombros mais uma vez.
- Aham, – disse num tom divertido – por que eu ainda concordo com as suas ideias, hein?
- Simplesmente porque você gosta de mim e das minhas ideias, – eu disse andando até a cozinha e a ouvi rir – mas principalmente porque gosta de mim.
- Ah, com certeza! – ela disse elevando o tom de voz.
Na cozinha peguei as taças e procurei pela garrafa de vinho que eu tanto gostava, não sei, aquele vinho devia ser feito por deuses, porque era bom demais. Tirei a rolha da garrafa e servi as duas taças, beberiquei um pouco em uma delas e quando voltei para a sala, que era iluminada apenas pela luz baixa do abajur, vi Demi próxima à porta de vidro que levava a varanda e ao Snoop, que estava deitado em sua grande almofada, dormindo, sem se importar com nada. Coloquei a garrafa em cima da mesinha do abajur, junto do meu celular. Percebi que ele estava com uma luz baixa, passei o dedo sobre a tela e ela se acendeu revelando o desenho de um envelope, cliquei sobre o mesmo e a mensagem se abriu, e era uma mensagem de Miley. Dei de ombros. 

“Sei que ela ainda está contigo, então pede para ela ficar e dormir ai, ou sei lá! Mas juízo, hein! Beijo, Mi”. 

Simples assim. 
Sorri com isso e desliguei o celular. Já disse que a Mi é meio doidinha? 
Demi? – chamei parando atrás dela, que se virou para mim. 
- Obrigada – ela sorriu pegando a taça que eu lhe oferecia. 
- O que está fazendo parada aqui? 
- Eu havia me esquecido – disse simplesmente e deu um passo para o lado, me dando espaço e tornou a olhar para fora. 
- Esquecido? – perguntei e ela apontou para a lua cheia acima de toda a cidade, brilhante, quase num tom azul claríssimo em meio àquele céu negro. 
A lua e a noite, estava tudo muito lindo lá fora. Estranho perceber como eu nunca tinha parado para notar essa vista privilegiada até hoje. 
- É noite de lua cheia – explicou-se e eu a encarei, seus olhos brilhavam intensamente e não era somente pelo reflexo da lua. 
- O que tem de mais? É nesta noite que os lobos estão à solta? – brinquei e ela riu batendo levemente seu cotovelo em minhas costelas – Vai dizer que gosta de Crepúsculo, da Bella sem sal, do Edward...? 
- Não, idiota. – ela disse com um sorriso divertido e se sentou no chão com as pernas em volta do corpo – Você, como músico, devia ser mais sensível – e tomou um gole de seu vinho. 
- Eu posso ser sensível, muito romântico e me portar como um cavalheiro quando quero, – eu disse me sentando ao seu lado e ela me olhou com as sobrancelhas arqueadas – mas aquele filme é muito gay e aqueles personagens não são vampiros, são borboletas que brilham ao sol! 
- Ah é, você tem toda a razão! – ela disse tentando parecer indignada e eu soube que estava entrando na brincadeira – E agora? Onde ficam as capas pretas, os caixões, crucifixos, o banho de sangue...? – gesticulou, mas segurava para não rir. 
Eu apenas sorri, apreciando sua companhia. 
- Viu só? Não fazem mais vampiros como antigamente – balancei a cabeça negativamente. 
- É, não fazem – riu e tornou a encarar a lua. 
- Como chegamos neste assunto mesmo? – perguntei e nós rimos – Ah sim, a lua... Então me diga Demi, o que a lua significa pra você? – e tomei um pouco do meu vinho. 
Demi comprimiu os olhos para a lua e um lindo sorriso moldou seus lábios. 
- Respostas. – ela disse, mas aquilo me soou muito mais como uma pergunta – Não sei ao certo, apenas gosto quando ela aparece assim, eu me sinto bem e penso em tudo, – e me olhou brevemente – em todos. 
Ri fraco e coloquei minha taça no chão, um pouco afastada para que eu não pudesse fazer nenhum estrago. Em minhas circunstâncias, eu não precisava da lua para isso, para me sentir bem e ter respostas, o que eu precisava estava aqui comigo e eu queria que ela soubesse disso. 
- Acho que consigo te entender... – comecei com o olhar fixo em Demi, que apenas me ouvia, ainda olhando para fora – Ela chama sua atenção, te intriga e por ela ser única, você pensa que ela tem as respostas de todas as perguntas e dúvidas que você possa ter em toda a vida, seja lá sobre o que for. – e então ela me encarou – Mas só de olhar para ela, você tem a certeza de que está tudo bem e de que fez a escolha certa. – eu disse e a toquei levantando delicadamente seu queixo – E o que mais te fascina é que sempre que a vê, ela lhe parece ser cada vez mais linda, mais certa. – eu disse abaixando o tom e me aproximando mais a cada palavra sem tirar os olhos de seus lábios – Posso? 
- Desde quando Joe Jonas pede permissão? – perguntou no mesmo tom que eu. 
- Desde quando eu percebi que prefiro dormir tendo certeza de que vou acordar amanhã e ainda estará tudo bem entre nós dois, – eu disse encaixando minha mão em seu pescoço e acariciando seu rosto com o polegar – de que você vai me olhar nos olhos e conversar abertamente comigo, sem segredos. 
Eu podia sentir seu hálito, sua respiração quente batendo diretamente contra minha boca, mesmo tendo dito tudo aquilo eu queria seus lábios nos meus. Ela riu fraco e afastou um pouco seu rosto do meu. 
- Então é melhor não. – ela disse com um sorriso no canto dos lábios e virou o rosto, obrigando-me a afastar minha mão de si. 
- Você veio aqui hoje só para me provocar, não é? – eu sorri enquanto ela tomava mais um pouco de seu vinho. 
- Não é verdade – ela riu. 
- Aposto que é. – murmurei – Sua vez! 
- Minha vez? – me olhou sem entender. 
- De contar alguma coisa que eu não saiba. 
- Sobre o que quer saber? 
- Alemanha! – arqueei as sobrancelhas e ela sorriu balançando a cabeça negativamente. 
- Passo. 
- Quê? Demi, isso não vale – eu disse e nós rimos. 
- Não vou falar sobre isso e pronto. – ela disse levantando levemente o ombro – Primeiro porque não sou boa em mentir, e depois porque não quero ter de tentar mentir para você. 
- Mas por que você mentiria? 
- Porque não foi uma fase muito legal na minha vida. 
- Por quê? – insisti e ela comprimiu os olhos para mim. 
- Você está me enrolando! – ela riu – Enfim, não vou falar sobre isso – cantarolou levando a taça de vinho à boca. 
- Ok, – concordei relutante com um meneio de cabeça – então fale sobre Melannie... Você vai trocar os registros, ou seja lá o que for preciso, e dar a ela o meu sobrenome? 
- Se é o que você quer – ela sorriu. 
- Vou poder vê-la quando eu quiser, não é? – perguntei comprimindo os olhos – Nada daquelas palhaçadas de somente nos fins de semana, feriados e nas férias... – eu fiz careta, não suportava essa ideia, era horrível! – Acho até que mereço mais que isso... 
Demi riu e tocou suavemente minha mão. 
- Espero que saiba que você será um ótimo pai. – ela disse e eu entrelacei nossos dedos – E era isso, só isso que eu queria para Melannie e ninguém seria melhor do que você. 
Eu sorri e beijei o dorso de sua mão. Demi tomou um longo gole de vinho, acabando com o conteúdo de sua taça e depois de colocá-la junto a minha, que ainda estava meio cheia, virou o corpo, ficando de frente para mim. 
- Ela tem muito de você. 
- É, eu sei, os olhos, talvez até o cabelo... 
- Não, não só nisso! Acho que o gosto pela música e até quando dorme, tem que sempre estar abraçada a algo ou alguém, porque senão acorda no meio da noite. Deve ser genético, ou sei lá. 
- Para Demi, isso está parecendo coisa de histórias de uma adolescente – eu disse com um sorriso divertido no rosto e ela riu. 
- Lógico que não! 
- Aposto que nós apenas fazemos parte da imaginação de uma garota... 
- Mas é verdade! 
- GAROTA! – eu gritei olhando para cima e até o Snoop que dormia tranquilamente, se mexeu em sua almofada,Demi gargalhou – Se tem mesmo alguém ai escrevendo a história da minha vida, por favor, tem algumas partes que merecem melhoras, até mesmo a Demi, ela não está falando coisa com coisa! 
Joe! – ela disse entre risos e eu tornei a encará-la – Ouça, você sabia que eu trabalhei em um instituto de música? 
- Hm, agora melhorou, está fazendo mais sentido – gesticulei com a mão livre, arrancando mais risos de Demi. 
Ou ela estava muito alegrinha, ou eu que era muito tonto. Mas só com uma taça de vinho, hm, acho que a segunda opção seja mais provável. 
- Acho que vou ter que conversar mais vezes com essa garota. 
Sério, quem sabe ela – a garota que, hipoteticamente falando, está escrevendo a história da minha vida – não pode apagar qualquer coisa ruim que possa ter acontecido com Demi enquanto eu não estava por perto, ou até mesmo tirar Robert do meu caminho. Sei lá, essas são as minhas humildes sugestões. Estou até aceitando outro filho, mesmo que o Fletch tenha dito não. Mas da Demi, ok? Só para deixar bem claro. 
- Mas caramba, presta atenção! 
Ela me repreendeu com um sorriso lindo no rosto e eu juntei os dedos, indicador e polegar, passando-os sobre meus próprios lábios, mostrado que ficaria em silêncio a partir de agora. 
- Ótimo, a... Ahm... Joe, sobre o que eu estava falando mesmo? – mordeu o lábio inferior e nós rimos – Ah, lembrei! Quando eu trabalhei na secretaria desse instituto, que era perto de casa, a Melannie já tinha um ano e pouquinho, e sempre que eu podia ligava para a minha tia pedindo para que ela aparecesse por lá. – e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha – Eu não aguentava ficar muito tempo longe dela. 
- Seu chefe não se incomodava? 
- Na verdade não, todos gostavam quando ela estava lá comigo, – ela sorriu meigamente –achavam incrível ver que ela não se abalava com os sons e que ela até gostava! Eu a sentava sobre a minha mesa, de frente para mim; a sala dos alunos de violão era a que ficava mais próxima da secretaria e mesmo com o isolamento acústico, era possível ouvi-los tocando, então quando parava de tentar pegar as minhas canetas e prestava atenção aos sons, ela me olhava com aqueles olhos castanhos brilhando, sorria e começava a bater palminhas ou a tentar dançar. Sei lá, eu ficava toda boba, rindo sozinha porque aquilo era... Era fantástico! – ela riu e eu sorri amarelo sem conseguir esconder minha frustração. 
Eu estava feliz por ela me contar aquilo, claro que estava, mas não conseguia deixar de pensar que eu mesmo poderia ter visto isso e muito mais! Poderia ter acompanhado cada mês da gestação, assistido ao seu nascimento – sim, eu acredito que teria estômago para isso –, não me importaria de ter passado noites em claro, trocado fraldas, feito mamadeira, ter visto seus primeiros dentinhos nascerem, os primeiros passos, as primeiras palavras... Principalmente as primeiras palavras! Porque depois eu veria que tudo havia valido a pena. Eu não podia deixar de evitar isso, evitar a falta que eu sentia de coisas que nunca existiram para mim. Você já sentiu isso, falta do que nunca existiu? Pois é, eu também não sabia que isso era possível. 
- Desculpe, – ela pediu abaixando o olhar para suas mãos que brincavam distraidamente com a minha, por breves segundos – sei o que está pensando, eu falei sem pensar, me desculpe. 
- Qual foi a primeira coisa que ela disse? – perguntei e ela sorriu de lado. 
- A maioria das pessoas que conhecemos, acham que ela chamou pela minha tia, mas não é verdade. Uma semana antes disso, por incentivos da Miley... – riu fraco – Ela chamou pelo pai, chamou por você! 
- Não está me dizendo isso só para que eu me sinta melhor, não é? – comprimi os olhos. 
- Por que eu faria isso? – piscou esperando por uma resposta. 
Eu senti um frio na barriga e um sorriso se formar em meus lábios, apenas levantei os ombros levemente. De alguma forma, ouvir isso realmente fez com que eu me sentisse melhor. Já estava cansado de ficar sentado naquela posição e minhas costas começaram a reclamar, estou ficando velho tão rápido assim? Joguei o corpo para trás, me deitando de costas no chão e Demi me olhou sobre o ombro. 
- Gostei de ouvir isso, – admiti e Demi riu, deitando-se da mesma forma ao meu lado e eu puxei sua mão pra cima do meu peito, começando a acariciar a palma da mesma – e tudo bem, eu quero ouvir mais histórias como esta, a ideia de ser pai, principalmente por ser Melannie, por ser você... Está me parecendo ótima. 
- Mesmo... – ela hesitou por um momento e se virou para mim, me olhando com ternura – Mesmo depois de tudoJoe? 
Talvez ainda mais depois de tudo, pensei, mas isso eu não quis admitir. Mais uma vez eu estava nas mãos dela, ou talvez nunca deixei de estar. Abaixei meu olhar, toquei as pontas de seus dedos com os meus e os deslizei até metade de seu antebraço, sorri por um momento por ela ter se arrepiando, mas logo franzi o cenho ao perceber uma marca roxa em seu pulso. 
Demi, o que é essa... Como... – comecei tentando escolher as palavras e ela se soltou de mim, tornando a deitar de costas e puxou a manga da camisa para cima. 
- Eu sou tão descuidada, – riu e tirou o celular do bolso, que começava a tocar, o deixando na altura do rosto – não se preocupe com isso. É a Melannie, vou colocar no viva-voz, ok? – ela não me deu nem tempo para responder e atendeu a ligação – Oi amor. 
- Amor é o cacete Demetria, você não vem pra casa? – ouvimos Mi falar, Demi riu e eu não tive como não acompanhar. 
- Nossa, eu também estou sentindo a sua falta, priminha linda do meu coração! – Demi riu – Diz oi para o Joe. 
- Oi Joe, como vai a vida? 
- Bem, e a sua? 
- Também. Recebeu a minha mensagem? – ela perguntou e Demi me olhou com o cenho franzido, como se me questionasse. 
- Recebi – eu sorri. 
- Ok, beleza, chega, desde quando vocês dois ficam trocando mensagens? Eu hein... – Demi comprimiu os olhos e nós rimos – Sai daí Mi, quero falar com a pequena. 
- Ih, chata! – Mi riu. 
Ouvimos um murmúrio do outro lado da linha. 
Joe? Mãe? – a voz de Melannie soou e eu senti um sorriso involuntário brotar em meus lábios. 
- Hey pequena – eu disse. 
- Oi minha princesa, está tudo bem por ai? 
- Está sim, adivinhem o que eu estou fazendo? – a menina perguntou e Demi e eu nos entreolhamos sorrindo, dei de ombros. 
- Ahm... Assistindo um filme bem legal e comendo porcaria? – Demi arriscou. 
- Não, jogando videogame com o Liam! – ela disse toda empolgada e nós nos entreolhamos mais uma vez. 
- O Liam? – indaguei. 
- Aham, – a menina disse e nós rimos – a tia Mi queria mandar ele embora, mas ele trouxe doces... 
- Doces, sempre o nosso ponto fraco! – Demi me disse bem baixinho, quase num sussurro, sorrindo. 
- Ai ela deixou que ele ficasse. 
- Então aproveita bastante pequena – eu disse me aproximando mais de Demi. 
Eu a puxei delicadamente, passando um braço por seus ombros e outro por sua cintura, colando nossos corpos, fazendo com que ela apoiasse a cabeça em meu ombro. 
- É, porque amanhã tem aula – Demi completou e a menina suspirou. 
- Tudo bem... Mas mamãe, você vem pra cá hoje? 
- Não, – eu disse antes de Demi pensar em abrir a boca, e ela me olhou com as sobrancelhas arqueadas – está muito tarde. 
- Mas eu tenho que trabalhar. 
- Você não pode ir depois do almoço? Assim nós três podemos pegar o exame com mais calma – expliquei. 
- Na verdade eu posso, tenho horas positivas daquele dia da reunião. – ela sorriu e tornou a atenção ao celular – Então é isso filha, hoje eu não volto pra casa da sua tia, você vai pra escola amanhã e Joe e eu vamos te buscar mais tarde, ok? 
- Ok, então tch... Ah, a tia quer falar com você. 
- Boa noite meu anjo, manda um beijo para o Liam. – disse se aconchegando mais a mim – Eu te amo. 
- Eu também... Ahm, boa noite Joe. 
- Boa noite Melannie – eu disse e ouvi um riso baixo antes de um barulho tomar conta da ligação. 
- Oi, oi, pronto! – Miley disse rindo. 
- Está se divertindo bastante com o Hemsworth ai, prima? – Demi alfinetou. 
- Cala a boca! – ela repreendeu e nós rimos – Não Demi, é sério, tenho uma coisa muito importante pra te contar. 
- Pois conte – ela disse entre um bocejo. 
- Tem certeza? Assim, no viva-voz, em inglês e tal...? – ela disse com tanta cautela que eu até estranhei. 
- Tenho, pode falar – deu de ombros. 
- Ok, eu acabei de checar meus e-mails e adivinha... – começou e Demi apenas murmurou para que ela continuasse – Tinha um da minha mãe, perguntando mais de Melannie você do que de mim, da própria filha! Acredita numa coisa dessas? 
- E como estão as coisas por lá? 
- Está tudo bem, minha mãe disse que está com saudades de nós, de mim, mas não da minha preguiça para arrumar a casa. – ela disse e nós rimos mais uma vez – Mas enfim, ela disse que seu pai foi procurá-la, que lhe fez algumas perguntas um tanto quanto vagas sobre você, depois mudava de assunto, mas sempre voltava em Melannie e você. De novo, como daquela última vez. 
- Você acha que ele precisa de algo? Sua mãe disse mais alguma coisa? Talvez ele precise de dinheiro ou sei lá... 
- Você sabe o que ele quer! – Mi disse e Demi respirou profundamente – Ele está ficando velho, não quer mais ficar sozinho, quer te ver, conhecer Melannie. 
- Ah Mi, eu não sei se... 
Joe, por favor, – ela a interrompeu, Demi levantou seu olhar para mim e balançou a cabeça levemente em negação, então eu permaneci em silêncio – fala pra ela parar de ser cabeça dura e dar uma chance pra ele? Poxa Demi, é o seu pai. 
- Podemos falar sobre isso depois? – ela perguntou para a prima, que suspirou. 
- Ok. 

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